Combustíveis encerram o ano custando mais
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sábado, 28 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Rio - Em virtude da alta da cotação do petróleo no mercado externo - provocada pela greve geral no país vizinho -, a Petrobras anunciou ontem um novo pacote de reajustes dos preços dos combustíveis. Os novos preços passam a vigorar nas refinarias a partir de amanhã, com alta de 12,8% na gasolina, 11,3% no diesel e 7,7% no gás de botijão.
Os aumentos vêm em um momento em que, tradicionalmente, os preços deveriam cair e terão impacto significativo na inflação do primeiro mês de governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em dezembro passado, antes da abertura do setor, a Petrobras reduziu o preço da gasolina em 25%, devido à queda da cotação no mercado externo.
Para este Reveillón também era esperada uma queda, já que a cotação do dólar vinha caindo, mas a estatal informou que a redução do câmbio não foi suficiente para anular a alta do petróleo e derivados no mercado externo. De acordo com nota divulgada pela companhia, o câmbio serviu apenas para amortecer a alta provocada pela redução acentuada da oferta na Venezuela, o principal fornecedor do mercado norte-americano.
Além de gasolina, diesel e GLP, a Petrobras também vai aumentar os preços da nafta petroquímica (19,4%), com impacto na cadeia produtiva de plásticos, e do querosene de aviação (14,8%), um dos principais custos das passagens aéreas. Estes reajustes entram em vigor no dia 1º de janeiro de 2003. O óleo combustível também será reajustado, em 14,4%.
A alta da gasolina nas refinarias deve provocar um aumento de 10% no preço pago pelo consumidor, segundo a Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis). Em São Paulo, por exemplo, o preço médio nas bombas deve passar de R$ 1,909 para cerca de R$ 2,10 por litro. Segundo números da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço da gasolina subiria, desde janeiro, 35%, levando-se em conta um repasse de 10% deste último aumento.
Segundo o porta-voz da Fecombustíveis, Roberto Schneider, o reajuste deve reprimir a demanda. ''A época de férias escolares tradicionalmente representa certa queda no consumo e, agora, com este reajuste, a queda deve ser maior'', disse. Segundo cálculos da entidade, há a perspectiva de que o consumo caia 3% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2001.
O repasse ao preço de bomba do diesel deve ser semelhante ao da gasolina, segundo a própria Petrobras. Assim, o preço do combustível deve sair de uma média de R$ 1,365 por litro para cerca de R$ 1,49 por litro. A alta acumulada do ano, depois deste aumento, pode chegar a 64%.


