Combustíveis eleva IGP-M ao maior nível em 18 meses
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Pressionada pela disparada nos preços de combustíveis e lubrificantes no atacado (de -2,59% para 2,57%) a inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu 0,92% em janeiro, ante -0,01% em dezembro. Foi a maior taxa do indicador, usado para reajustar tarifas públicas e aluguel, entre outros, em 18 meses. Porém, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) a alta é momentânea e não deve se repetir em fevereiro.
O período de coleta de preços do indicador foi do dia 21 de dezembro a 20 de janeiro. Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, o movimento de alta nos preços dos combustíveis deve arrefecer em fevereiro, o que deve levar a uma taxa menor no mês que vem. ''Cerca de 30% da taxa do IGP-M foi causada por combustíveis'', afirmou, ao mensurar o impacto que o setor teve na inflação em janeiro.
Os preços do atacado subiram 1,10% em janeiro, ante deflação de 0,27% em dezembro - também o maior nível de inflação do atacado em um ano e meio. ''Os preços no atacado são os de maior peso na formação da taxa do indicador'', lembrou Quadros. No varejo, os preços também aceleraram, e subiram 0,70% em janeiro, ante aumento de 0,52% em dezembro. Já os preços da construção civil passaram de alta de 0,38% para aumento de 0,24%, de dezembro para janeiro.
Os atacadistas e varejistas estão iniciando um movimento de recuperação de margens, segundo dados apurados pela FGV no IGP-M de janeiro. No atacado, foram registradas elevações mais intensas em produtos de higiene (de -0,08% para 0,79%); sabonete (de variação zero para 2,60%); desodorante (de variação zero para 0,66%) e detergente para uso doméstico (de -1,66% para 1,37%).
No varejo, foram registradas acelerações de preços em creme dental (de -2,05% para 0,73%); escova de dentes (de -1,19% para 2%) e fraldas descartáveis (de -2,19% para 0,81%). ''Mas essa recomposição de margens não significa que está ocorrendo uma explosão generalizada de preços na inflação'', ressaltou.


