Após quase um mês de guerra por mercado, caracterizada por atentados e queda nos preços, boa parte dos postos de combustíveis de Londrina voltou a comercializar a gasolina a R$ 2,89 o litro. O valor é R$ 0,20 mais alto do que a média da semana passada, conforme levantamento de preço semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre 3 e 9 de junho. O aumento de 7,5% é considerado um respiro para os donos de postos, que estavam concorrendo com uma gasolina que chegava a R$ 2,49. Outros estabelecimentos, inclusive, elevaram o produto em R$ 0,40, alta de 16%. Em relação ao etanol, a variação média foi de 6,5%, com alguns postos saltando de R$ 1,66 para R$ 1,99 o litro, elevação de quase 20%.
De acordo com informações coletadas pela FOLHA, apenas duas companhias estavam repassando a gasolina e o etanol a preços mais baixos para que os empresários pudessem competir com os postos de bandeira branca. A grande maioria trabalhava com preços menores por conta própria, apenas para não perder clientes para a concorrência. Uma das fontes disse que estava pagando R$ 1,71 pelo litro do etanol enquanto alguns postos vendiam o produto a R$ 1,69 na bomba.
Outro proprietário de posto bandeirado, que também preferiu não se identificar, comercializava ainda ontem a gasolina a R$ 2,59 o litro, mas disse que voltaria ao ''preço normal'' o mais rápido possível. ''O concorrente foi baixando, baixando e tivemos que correr atrás. Estava sem margem nenhuma. Vendia a este preço apenas para não perder clientes. Estou trabalhando no vermelho há meses'', decretou ele.
Para o vice-presidente do Sindicombustíveis, Durval Garcia Júnior, os preços estavam completamente fora de mercado. Para ele, o retorno aos valores antigos volta a dar uma margem razoável para os proprietários dos postos. ''Os preços eram irreais e predatórios para todos'', avaliou.
Na outra ponta da comercialização, o consumidor - mais uma vez - se sentiu lesado com o aumento abrupto. Para o representante comercial, Marcos Roberto Marques Ferreira, a gangorra de preços na cidade tem justificativa: a falta de força do poder público no assunto. ''Londrina é terra de ninguém e, por isto, esta oscilação de preços. Abasteço em São Paulo há mais de um ano e o preço não muda, por volta de R$ 2,56 o litro da gasolina'', ressaltou.
Já o comerciante Giovani Ribeiro estava enchendo o tanque com a gasolina a R$ 2,49 o litro. Ontem, colocou apenas R$ 10 no tanque ao valor de R$ 2,89. ''O valor anterior estava de bom tamanho, perfeito para o consumidor. Agora, esta alta repentina de 16%. Eu pergunto pra você, como faço para conseguir esta margem no meu comércio assim, de um dia para o outro?'', indagou.
Etanol
Para confirmar que o aumento de 6,5% do litro do etanol hidratado partiu das distribuídoras, basta avaliar que o preço do produto na usina sofreu retração nas últimas cinco semanas. De acordo com o levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), no último mês o litro do álcool (sem frete e impostos) caiu de R$ 1,15 para R$ 1,08 o litro, uma queda de 6%.

Imagem ilustrativa da imagem Combustíveis disparam após trégua entre postos
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