O aumento nos preços da gasolina e do diesel, em vigor a partir de hoje, provocou uma corrida de consumidores aos postos ontem em Londrina. Alguns revendedores não tinham mais gasolina no início da noite. No Posto 15, da avenida Higienópolis, o combustível acabou ao meio-dia.
O proprietário do posto, Luiz Bolognesi, acredita que as companhias aproveitaram a ocasião para ‘‘retalhar’’ posteiros que trabalham com distribuidoras pequenas. ‘‘Elas quiseram nos castigar’’, afirmou. ‘‘Eu sei que as companhias também não tinham grandes estoques para pronta entrega mas poderiam ter dividido suas cotas entre todos os postos’’.
Também faltou gasolina no Posto Duim, segundo o proprietário Osvaldo Luiz Duim. Com um movimento cerca de 35% maior do que o normal, Duim afirmou ter vendido seis mil litros de gasolina ontem. O combustível no posto custava R$ 1,13. ‘‘Não sei por quanto vou vender hoje. Mas não acredito num aumento superior a 5% por causa da grande concorrência existente na cidade’’.
No Posto HP, na área central, houve filas de carros durante toda à tarde de ontem. O técnico de telefonia Edival Bueno diz ter esperado 30 minutos para ser atendido no local.
O diretor do Sindicombustíves em Londrina, Valter Sasso, confirmou que muitas distribuidoras deixaram de entregar o produto ontem. ‘‘Mas o consumidor sempre acha que o posteiro guarda o combustível para vender mais caro’’.
A Folha tentou contato com as distribuidoras no final da tarde de ontem. Um funcionário de uma companhia, que não quis se identificar, disse que a maioria das empresas não tinha volume suficiente para atender a demanda. ‘‘Entregamos as cotas normais. O problema é que, na véspera de aumento, os posteiros querem triplicar seus pedidos’’.
Valter Sasso não sabia calcular, ontem, de quanto seria o aumento da gasolina em Londrina. ‘‘Ainda não sabemos qual será o preço das distribuidoras’’, disse. Sasso reclamou da atitude do governo federal em recomendar um aumento nas bombas de até 5%. ‘‘O governo aumenta 7% mas quer que os postos repassem apenas 5%. Queria saber qual milagre o presidente Fernando Henrique Cardoso espera que façamos’’, questionou.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério das Minas e Energia, não há porque repassar mais do que 5% já que a composição do preço da gasolina prevê uma série de custos fixos como aluguel, salários de funcionários e água e luz, além da gasolina propriamente dita. ‘‘Estes itens não tiveram alteração’’, afirmou a assessoria. O Ministro Rodolpho Tourinho disse ontem, em Brasília, que um aumento no preço da gasolina superior a 5% é injustificado.
Na região de Curitiba, o reajuste do combustível será de cerca de 7%, segundo o presidente do Sindicombustíveis/Pr, Roberto Fregonese. Ele acredita que nem todos os postos vão mexer nos preços das bombas hoje. O litro da gasolina em Curitiba deve passar a custar cerca de R$ 1,32. (Colaborou Carmem Murara, de Curitiba)