Combinações do cenário externo são preocupantes
São Paulo - Autoridades brasileiras também vêm tentando tranquilizar os mercados. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tem dito que o Brasil está preparado para enfrentar a alta dos juros dos EUA porque os fundamentos da economia brasileira são muito melhores hoje do que no passado. O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, vai na mesma linha. ''Não vamos nos descabelar porque mudou 0,25 ou 0,5 ponto (nos juros americanos).''
A grande preocupação, porém, é a combinação das mudanças no cenário internacional - a necessidade de desacelerar uma China superaquecida e a volta de taxas de juros realistas nos EUA. A China, com sua política de câmbio fixo e acumulação de reservas, tem sido um dos principais compradores de títulos do Tesouro americano, sustentando o dólar e influenciando a taxa de juros dos EUA.
Se optar pela apreciação do yuan para desacelerar a economia (com queda das exportações), a China vai reduzir sua acumulação de reservas. Isso pode levar a uma queda de preços e aumento dos juros dos títulos dos EUA. Com a redução da compra de títulos americanos, o dólar tende a ter uma desvalorização mais acentuada, o que leva os juros americanos a subir mais rapidamente. ''O perigo é que, com essa conjunção de fatores, a elevação dos juros americanos não seja tão gradual e cuidadosa como esperamos'', diz Callegari. (AE)





