O conceito de analfabetismo financeiro ainda é novo, mas, de acordo com o professor de finanças da FGV, Marco Cunha, ele representa a falta generalizada de conhecimento sobre questões de caráter financeiro, como rentabilidade e condições de investimento. ‘‘Muitas pessoas tem medo de investir porque não sabem as regras’’, comenta.
Em Londrina, o Colégio Universitário possui, como parte do Projeto Empreendedorismo, um trabalho de alfabetização financeira com alunos do Ensino Infantil e Fundamental. De acordo com a coordenadora pedagógica da Educação Infantil, Kátia Mitsue Yano, as atividades são focadas nos sonhos das crianças e nas metas que elas definem para alcançar esses sonhos.
No início do ano letivo, os alunos - a partir dos 4 anos de idade - aprendem os conceitos de ‘dinheiro’, ‘trabalho’, ‘ganhar’, ‘poupar’ e ‘doar’. Em seguida, elas definem um sonho coletivo e discutem com os professores o que vão fazer para arrecadar o dinheiro necessário. Segundo a coordenadora, de tudo o que os alunos arrecadam, uma parte é destinada para o gasto, outra é poupada para realização do sonho e outra é doada. ‘‘Alguns colocam como sonho comprar bolas, outros tomar sorvete, ou ainda uma ida ao cinema com pipoca’’, relata Kátia.
Para arrecadação da quantia necessária, as atividades são interligadas ao conteúdo dos demais projetos trabalhados com os alunos em sala de aula. Em alguns casos as crianças fazem um suco e revendem aos pais, ou encenam uma peça de teatro. Nestes casos, é utilizada uma moeda fictícia, o Unireal. Em certas ocasiões, o colégio promove feiras para comercialização de produtos entre os alunos e familiares. ‘‘Cada família recebe três unireais para ensinar a criança a administrar e fazer escolhas do que comprar’’, esclarece Kátia. Ao chegar no Ensino Médio, os alunos passam a trabalhar conceitos mais aprofundados, como o próprio empreendedorismo. (M.F.)

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