Campinas - Em 20 anos, o número de pessoas que sofrem com a fome no mundo diminuiu 13% segundo a Agência para Alimentação e Agricultura (FAO) da Organização das Nações Unidas (ONU). Mas o resultado ainda não é motivo de comemoração, pois o relatório da entidade aponta que um em cada oito habitantes ainda passa fome, o que representa um total de 868 milhões de pessoas. O representante da FAO no Brasil, Hélder Muteia, lembrou que a meta é reduzir esse número pela metade até 2015 e a principal estratégia defendida pela FAO é o investimento em tecnologia que possibilite a ampliação da produtividade.
Segundo Muteia, o Brasil e a América Latina estão no caminho certo no combate a essa situação que considera inaceitável, tendo em vista que o número de pessoas subnutridas no País caiu de 23 milhões em 1992 para 13 milhões em 2012, uma redução de 43%. Na América Latina, 16 milhões de pessoas deixaram de passar fome nos últimos 20 anos. Entre os principais desafios, Muteia elencou o crescimento da população, que deve chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050, a alta e a volatilidade dos preços dos alimentos, a escassez de água, as mudanças climáticas, a degradação do solo, a urbanização, a competição com a produção de combustíveis e as incertezas financeiras geradas pela crise econômica europeia.
O representante da FAO demonstrou preocupação com a redução de 2,6% ocorrida na produção mundial de grãos em comparação a 2011, sendo que o trigo teve queda de 5,2%. O efeito é resultado da pior seca dos últimos 50 anos enfrentada pelas lavouras norte-americanas e por uma drástica estiagem registrada na Rússia. Muteia ressaltou que do aumento de 40% que o Brasil deve implementar na produção de alimentos, 85% deve ser resultado do aumento de produtividade e somente o restante será conquistado com aumento de área cultivada.
No Ano Internacional das Cooperativas, a FAO escolheu o tema ''Cooperativas agrícolas alimentam o mundo'' para celebrar a Semana Mundial da Alimentação. No Brasil, as cooperativas reúnem 6 milhões de associados e são responsáveis por 40% do PIB Agrícola. O Paraná possui 81 cooperativas agrícolas, que reúnem 135 mil cooperados e são responsáveis por 55% da produção agropecuária do Estado. Em 2011, do total de R$ 32 bilhões de faturamento das cooperativas paranaenses, R$ 26,4 foram provenientes do agronegócio. ''Entre os benefícios que as cooperativas trazem estão o combate à pobreza, a valorização da dignidade dos produtores e a busca pelo bem comum atrelada à produção'', ressaltou Muteia.
Os números foram apresentados durante a IV edição do Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, promovido pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Devesa Agrícola (Sindag), Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) e Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), que aconteceu em Campinas.
* A jornalista viajou a Campinas à convite da organização do evento

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