Com risco maior, aplicador vai para o DI
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domingo, 10 de junho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A dificuldade de enxergar uma luz no fim do túnel no cenário de incertezas que insiste em permanecer no mercado internacional e doméstico desde meados de fevereiro tem levado o aplicador em fundos de investimento a traçar uma rota de fuga dos produtos de maior risco. A maior parte ruma ao porto seguro dos fundos DIs, pós-fixados, que seguem a variação dos juros. Outro caminho na busca de proteção do dinheiro tem levado a uma aplicação de capital garantido, na qual se abre mão da variação dos juros, mas também se evita o risco de perder o patrimônio investido.
Apenas em maio, período de maior instabilidade no mercado, os fundos de renda fixa prefixados, que levam desvantagem com a alta dos juros, registraram perdas superiores a R$ 1 bilhão, enquanto os DIs ganharam quase R$ 2 bilhões. Entre as maiores saídas de recursos figuravam os fundos alavancados, justamente aqueles que destinam parcela significativa de recursos aos mercados de altíssimo risco, como derivativos, ações, opções e futuros.
Mas será que esse movimento de fuga tem sentido? Depende de algumas variáveis. Para o economista e estrategista da ABN AMRO Asset Management, Hugo Penteado, a migração é coerente por causa da exposição dos fundos alavancados no curto prazo. Reduzir a aplicação de 50%, por exemplo, para 30% ou 25% em renda variável em momentos desfavoráveis da economia é plausível.
O sócio-gerente da BankBoston Asset Management e estrategista-chefe do BankBoston, Márcio Verri, concorda que a adequação de investimentos deva seguir critérios como prazo de aplicação e característica específica de cada pessoa. Os clientes têm preferido ir para os fundos DIs por causa das constantes notícias negativas no mercado, mas é preciso observar que no longo prazo não existe muito espaço para ganhos com essas aplicações, diz.
Para o diretor-estrategista e de Produtos da Lloyds Asset Management (LAM), Paulo de Sá Pereira, se a oferta de produtos na economia suplantar a demanda da população aparentemente receosa da crise energética, o governo deve voltar a baixar a taxa de juros, tirando o fôlego dos DIs.


