Brasília - Com a nova metodologia para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), anunciada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o governo terá de refazer todas as variáveis usadas para traçar o cenário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), admitiram os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo.
Essa revisão atingirá até o superávit primário do setor público, que atualmente está fixado em 4,25% do PIB. Se essa meta for mantida, o governo terá de fazer um esforço fiscal adicional de pelo menos R$ 10 bilhões, o que é considerado impraticável pela maior parte dos integrantes da equipe econômica, principalmente, num contexto em que é preciso elevar a taxa de investimento público.
Os ministros manifestaram muita cautela ao falar desse assunto. Mantega disse que é preciso aguardar que o IBGE divulgue o resultado do PIB de 2006 para que o governo possa refazer os seus cálculos. A mesma cautela foi demonstrada por Bernardo que, no entanto, não escondeu a euforia com os novos números do IBGE para o PIB e com a repercussão que eles terão sobre a trajetória futura da economia. ''O resultado é muito expressivo e afetará todos os indicadores (macroeconômicos do governo)'', afirmou. ''Com certeza teremos de reestudar todas essas questões. Mas é precipitado falar sobre isso agora.''
O indicador mais destacado pelos ministros foi a queda da carga tributária, de quase quatro pontos porcentuais do PIB. Pela metodologia anterior, a carga tributária estimada pela Secretaria da Receita Federal foi 37,37% do PIB. Com a revisão feita pelo IBGE, o peso dos impostos caiu para 33,71% do PIB. (AE)

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