Londrina - O salário mínimo nacional foi reajustado, a partir de 1º de janeiro, de R$ 724 para R$ 788, o que equivale ao custo de 2,22 cestas básicas, conforme a Nota Técnica 143 divulgada nesta semana pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A relação é a maior desde o 1,02 de 1995, o que mostra a importância da valorização do piso salarial para a redução da desigualdade social e para o aumento do poder de compra da população.

Entretanto, houve leve queda na relação de 2,22 cestas por salário em janeiro de 2015 na comparação com as 2,23 de janeiro de 2014. Isso porque o estudo do Dieese considera a média no ano para a comparação, que sofreu efeitos da inflação e fez com que o número ficasse em 2,10 pacotes de compras ao longo do ano.

A projeção leva em conta a cesta paulista. Se considerado o valor do custo dos alimentos em Curitiba, a relação ficaria em 2,49 cestas, conforme a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos do Dieese, divulgada anteontem. Em dezembro, a cesta saía por R$ 354,19 em São Paulo e por R$ 315,84 na capital paranaense.

Os números mostram ainda como um trabalhador teria dificuldades para sustentar uma família com o piso nacional. O mesmo Dieese mantém uma pesquisa atualizada mensalmente pela inflação, que indica qual é o mínimo em vigência e quanto seria necessário para sustentar uma família. Em dezembro, o salário deveria ser de R$ 2.975,55, ou 4,11 vezes o piso de R$ 724. Em 1995, essa diferença era de 10,3 vezes.

Segundo o estudo do Dieese, 1995 também foi o ano em que o salário mínimo atingiu o menor patamar desde 1983. Na época, o piso valia o equivalente hoje a R$ 340,09, em valores deflacionados pelo Índice de Custo de Vida (ICV). Desde então, houve reajustes reais no mínimo. "Foram 76,72% de ganho real desde 2002. Se o salário mínimo tivesse sido apenas reajustado pela inflação no período, hoje estaria em R$ 420", diz o supervisor técnico do Dieese no Paraná, Sandro Silva.

Ele lembra que, mesmo com os reajustes reais, o valor caiu muito desde os anos 1950 e 1960, principalmente pelo congelamento durante a ditadura e pela desvalorização frente a inflação galopante do fim dos anos 1980 e início dos anos 1990. "Ainda está muito aquém do necessário. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo", diz Silva. No território nacional, 67,6% dos ocupados tem rendimentos de até dois salários mínimos, ou R$ 1.576.

RENDA ADEQUADA

A professora de economia Maria Eduvirges Marandola, da UniFil, acompanhou um estudo de nutricionistas em Londrina, na qual observaram a alimentação de pessoas de menor renda. Ela conta que quem recebia um salário mínimo não conseguia ter uma alimentação apropriada e quem recebia até dois pisos, gastava tudo o que recebia com refeições adequadas. "Quanto maior é o percentual do salário que uma pessoa gasta com alimentação, mais pobre ela é. Há uma necessidade de que a reposição real sobre os salários continue para, quem sabe, nos aproximarmos de um valor mais adequado."

Desde janeiro de 2010, o reajuste passou a ser feito pela combinação da variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

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