A Caixa Econômica Federal anunciou ontem a redução das taxas de juros de vários dos seus produtos, como cheque especial, empréstimo consignado e cartão de crédito. Os cortes são voltados tanto para pessoas jurídicas quanto físicas e podem chegar a uma queda de 67% em alguns casos. O programa, chamado de ''Caixa Melhor Crédito'', é válido para clientes novos, antigos e promove - além da diminuição dos juros - aumento do volume de recursos disponíveis ao mercado e orientação para o crédito consciente.
De acordo com nota divulgada pelo banco, o impacto da quebra nos juros será sentido imediatamente pelos clientes. Um exemplo é do cheque especial ofertado, que para clientes com conta salário terá diminuição de 8,18% para 3,50% ao mês, o que pode gerar economia anual de R$ 1 mil na despesa média de juros para quem utiliza um limite de R$ 2 mil. A medida já era aguardada pelo mercado financeiro, já que há seis dias o Banco do Brasil realizou reduções similares em diversas linhas.
Para o economista Ivo Barbiero, tais reduções já poderiam ter acontecido em janeiro deste ano. Ele comenta que as instituições ''são gananciosas'' e que as altas taxas de juros são sempre justificadas pelos bancos devido a inadimplência do consumidor e do ''risco país''. ''Se os bancos emprestam para as pessoas erradas, os bons pagadores não podem arcar com isso. As instituições financeiras públicas estão provando agora o quanto o mercado é exagerado neste sentido'', avalia o especialista.
Com a diminuição das alíquotas, os bancos privados terão que realizar ações parecidas para não perder clientes. Até o final do ano, o objetivo da Caixa Econômica é possuir 14% de ''market share'' em relação a sua carteira de crédito. ''É inevitável que isso aconteça. Temos uma massa de bons pagadores que não aceita mais juros abusivos'', relata Barbiero.
Um outro fator, de acordo com o economista, é que a diminuição das cobranças pode gerar no longo prazo uma queda da inadimplência. Ele explica que os clientes podem pegar empréstimos mais em conta para quitar dívidas mais salgadas. ''Estes 50 milhões de novos consumidores que surgiram no País nos últimos anos anos devem ficar muito atentos com suas finanças.''
Outro ponto positivo, aponta Barbiero, é que o mercado paralelo de empréstimos (agiotagem) - muito intenso no Brasil -pode perder força graças as ações como as do BB e da Caixa Econômica. ''À medida que as taxas de juros ficam mais amenas e que a economia do País fica mais forte, as pessoas deixam de apelar para este tipo de serviço'', completa o economista.

Imagem ilustrativa da imagem Com queda de juros, bancos públicos acirram disputa com privados
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