Com problemas cíclicos, cadeia do feijão precisa ser debatida
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Entra safra, sai safra e o cenário dos produtores paranaenses de feijão permanece num ciclo viciante, sem fácil solução. Os bons volumes de produção nos principais estados que apostam na cultura, incluindo o Paraná, fazem com que logo que o produto seja colocado no mercado, os preços despenquem. Sem uma exportação representativa das principais variedades plantadas carioca e preto , cabe à Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) intervir e adquirir o produto excedente no mercado pelo preço mínimo estipulado. Na tentativa de encontrar alternativas para a situação, toda a cadeia produtiva se reunirá entre os dias 24 e 26 de junho, em Foz do Iguaçu, para o Fórum Brasileiro de Feijão 2015, promovido pelo Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe).
Os números da segunda safra paranaense do grão são de alta e comprovam que problemas de comercialização devem acontecer nos próximos meses. De acordo com números do Departamento de Economia Rural (Deral), da secretaria da Agricultura (Seab), a expectativa é de uma colheita de 409,2 mil toneladas, frente as 401 mil toneladas da safra passada. A colheita até o momento já atingiu 60% do total. Vale dizer que a produtividade sofreu incremento de 25%, de 1.519 quilos por hectare (kg/ha) para 1.889 kg/ha. Já a área retraiu 21%, de 272,6 mil ha para 215,5 mil ha. "O ano passado faltou chuva e nesta safra o clima está como manda o figurino. Choveu no momento certo", explica o técnico do Deral, Metódio Groxko.
O presidente do Ibrafe e organizador do fórum, Marcelo Eduardo Lüders, salienta a importância do evento devido à situação tão delicada vivida pela cadeia. "Com o feijão carioca acontece a seguinte situação: se sobra, não tem para onde exportar. Se falta, não tem de onde comprar. O produtor joga fora o produto ou aguarda o amparo do governo frente ao problema", salienta ele.
Para Lüders, é possível a cadeia produtiva deixar esse ciclo de problemas. Primeiramente, ele salienta que 70% da população brasileira consome feijão cinco vezes por semana. A estratégia, portanto, está na diversificação das variedades, fomentando o consumo interno e também a exportação. "Nós temos variedades de feijão vermelho, rajado, de corda... Hoje, nós já temos esses tipos no mercado, mas como a produção é pequena, acaba saindo caro para o consumidor. São os chamados 'gourmets'. Aumentando a produção, o preço cai, atendemos o mercado interno e conseguimos exportar as sobras a preços interessantes".
De acordo com a Ibrafe, o Brasil exportou no ano passado 65 mil toneladas de feijão. Este ano, a expectativa é que o valor suba para 100 mil toneladas, ou seja, elevação de 53,8%. "Os consumidores internos e do exterior são simpáticos a esses novos produtos. Temos instituições de pesquisas como Iapar, Embrapa e Instituto Agronômico (IAC) que podem nos auxiliar nesse trabalho de desenvolver novas variedades atrativas ao mercado", complementa.
Entre outros temas que serão discutidos no fórum, os palestrantes do Brasil destacam a importância do feijão para as escolas, a abertura dos mercados da Ásia e Oriente Médio. O evento ainda vai ter representantes de entidades norte-americanas, que vão apontar as estratégias dos Estados Unidos na exportação do produto.


