Imagem ilustrativa da imagem Com pandemia, consumidores migram para e-commerce e não saem mais
| Foto: iStock

Após o início da pandemia de coronavírus e o lockdown que obrigou os estabelecimentos físicos a fecharem as portas, não restou outra saída para os consumidores a não ser recorrer às lojas virtuais e aos serviços de entrega. Por causa disso, as vendas no e-commerce este ano atingiram um crescimento de 56,8% até agosto, segundo dados da empresa de inteligência de mercado Compre & Confie.

Segundo Gabriel Lima, CEO da Enext, consultoria especializada em comércio eletrônico, alguns de seus clientes chegaram a ter 500% de crescimento nos primeiros meses da pandemia, quando o lockdown baixou no comércio físico das cidades.

Na Black Friday, tradicional período de promoções no e-commerce (de 26 a 30 de novembro), as vendas subiram mais do que o normal , chegando a 26,4% sobre o mesmo período do ano anterior, o melhor resultado desde 2014, diz a Ebit|Nielsen. Para o Natal, a expectativa era ainda maior, de R$ 3,38 bilhões em vendas de 10 a 24 dezembro, alta de 30% na comparação com o ano passado.

Para Gabriel Lima, da Enext, os dados positivos do e-commerce expressam o volume de consumidores que aderiram às compras on-line após as restrições impostas pela pandemia. “A gente notou dois fatores muito interessantes. O primeiro deles é que teve um volume de novos consumidores muito grande nos meses de abril e maio; e o que a gente conseguiu observar na Black Friday e no Natal é que houve um percentual de recompra muito grande dos consumidores que entraram nesses períodos. As pessoas que não compraram por medo, por desconhecimento, compraram no e-commerce porque não tinham opção e viram que funcionava.”

A pesquisa realizada pela Ebit|Nielsen no quarto trimestre com consumidores que compraram on-line indicou que 95% dos respondentes pretendem continuar comprando nas lojas virtuais. Assim, empresas que já operavam nos canais digitais aceleraram seus processos de digitalização de vendas. Quem ainda não tinha operação on-line, em vez de apostar em plataformas próprias, preferiu fazer as vendas nos marketplaces, como Mercado Livre e Magazine Luiza. “O que antes era estratégico, passou a ser urgente”, diz Gabriel Lima.

VINHO PELO SITE

Quando as lojas da World Importados, de Maringá (Noroeste), tiveram que ser fechadas devido ao lockdown, a empresa viu um crescimento significativo das vendas no site. “Para nós, que temos loja física, no período que ficou fechado foi a salvação ter e-commerce”, afirma a gerente de e-commerce Guida Esteves.

Os resultados só não foram melhores por causa da falta de produtos no estoque, devido à escassez de matérias-primas e insumos nas indústrias; da dificuldades de importação; da greve dos Correios e da drástica redução de vendas de listas de casamento, uma das principais fontes de faturamento do site. Mas a gerente de e-commerce calcula que, mesmo assim, a comercialização do canal on-line da companhia cresceu 12% no mês de dezembro. “Embora os casamentos tenham diminuído muito, a gente ainda conseguiu manter o nosso fluxo de caixa igual ao do ano passado.”

O que “salvou” o fluxo de caixa foram as vendas de produtos de casa e decoração da loja, como faqueiros, aparelho de jantar e vinhos. Estes últimos não eram vendidos on-line, mas após a pandemia foram incluídos no catálogo de produtos do site, e as vendas foram um sucesso.

FOTOS PELO WHATSAPP

A loja de roupas infantis para festas Euro Baby Kids, de Londrina, teve um baque quando a pandemia começou, mas logo as vendas decolaram nos canais de vendas digitais. Os novos clientes eram aqueles que costumavam ir à loja física, mas ficaram impossibilitados, afirma o gerente de e-commerce Giovan Panissa.

“A gente investiu inclusive em atendimento on-line para as pessoas em Londrina, em logística, para entregar por meio de motoboy para melhorar as condições de venda para quem está na cidade. O consumidor geralmente vinha até a loja provar as peças, mas a partir do momento que não podia mais vir, demos a ele atendimento mais personalizado por WhatsApp, redes sociais para suprir a necessidade de ver as peças”, ele conta. Nos últimos seis meses, Panissa estima crescimento de 30% nas vendas do e-commerce.

Mesmo com a reabertura das lojas, o gerente afirma que os clientes mantiveram o hábito de comprar no site. “O movimento na loja teve uma retomada, mas o e-commerce parece mais aquecido. A gente percebe que tem novos consumidores que nunca tinham comprado on-line, ou porque resistiam, ou por desconhecimento e insegurança. Mas com a pandemia, elas foram obrigadas a experimentar e perceberam que o e-commerce funciona, que podem fazer compras seguras e que se não gostarem têm direito a devolução.”

mockup