Com ou sem hexa, Copa impulsiona negócios
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de junho de 2018
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - No Brasil, Copa do Mundo é sinônimo de reunião de pessoas e confraternização, independentemente do contexto político-econômico em que se encontra o País. Para quem vislumbra alguma renda extra por conta do evento, a sugestão é empregar toda a criatividade naquilo que já se tem domínio, seja serviço ou produto.
A coordenadora estadual de Turismo e consultora de negócios do Sebrae-PR (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná), Patricia Albanez, alerta que é importante ser assertivo. "Refletir qual o seu diferencial dentro do serviço ou produto que você já conhece e, a partir disso, avaliar o que pode ser uma oportunidade no período da Copa e quais são as parcerias decorrentes disso tanto para prospectar mais negócios, quanto garantir que se dê conta da demanda", orienta.
O fundamental, segundo a coordenadora, é evitar prejuízos por conta do despreparo. "Um dos pontos de atenção é fazer uso de símbolos mais genéricos como as cores ou bandeiras das seleções participantes ou bolo de futebol, uma vez que a Fifa (Federação Internacional de Futebol) cobra royalties altíssimos sobre os itens licenciados pela entidade", ressalta. Se você é uma boa manicure, por exemplo, agregue às opções para as unhas, uma esmaltação decorativa alusiva às cores dos times. "Dá para se associar a algum local de transmissão dos jogos e ainda prestar esse serviço para os torcedores", sugere.
TRADIÇÃO
Mesmo para empreendimentos que já têm por tradição planejar e alavancar a receita do negócio com a Copa do Mundo, dividir a lucratividade com a Fifa não está nos planos. "As típicas canequinhas de brinde que vêm mergulhadas no chopp Submarino, bebida cuja combinação original leva uma dose de Steinhäger e foi criada aqui no bar, existem desde 1982. A série com as bandeiras das seleções participantes da Copa passou a ser feita no Mundial de 1986, mas até hoje em nosso planejamento não sentimos necessidade de usar algum item da Fifa", comenta o gerente do tradicional Bar O Alemão - Schwarzwald, em Curitiba, Jorge Tonatto.
Mesmo na Copa de 2014, no Brasil, quando a capital sediou alguns jogos, o estabelecimento manteve a mesma política em relação aos símbolos. "Houve outros investimentos, como treinamento dos nossos funcionários para atendimento bilíngue e nosso cardápio físico que já é em três línguas português, alemão e inglês, contava com um QRCode com outros idiomas relacionados às seleções que jogaram em Curitiba", conta.
O gerente do Bar do Alemão explica que mesmo o Mundial sendo na Rússia, o estabelecimento projeta um crescimento de 25% no faturamento em relação ao mesmo período de 2017. Desde setembro o bar se prepara para o movimento extra da Copa. "Fechamos tudo antes de 2018 começar, acho que quem deixa para última hora corre o risco de queimar o negócio ou ter prejuízo", observa.
O contrário também é verdadeiro. "Em 2014, nosso faturamento foi de 43% em relação ao mesmo período de 2013. O evento no Brasil rendeu o dobro do que estávamos projetando para uma época normalmente interessante pelas férias de julho, foi fantástico", exclama Tonatto.
Segundo ele, em 2014, o bar que tem uma capacidade de acomodar 800 pessoas sentadas, chegou a receber mais de mil pessoas. "Foi uma correria, creio que a maioria saiu satisfeito, mas é um dos elementos que decidimos aprimorar no planejamento para a o Copa 2018".
Os preços das reservas variam por mesa de R$ 200 a R$ 800, para jogos do Brasil e da Alemanha. A primeira transmissão será neste domingo (17), a partir das 11h30, do jogo entre Alemanha e México. Em jogos que ocorrem em horários diferentes da rotina do estabelecimento, que abre 11h e fecha 2h, a equipe adaptará o horário de atendimento. "No dia 22 de junho, Brasil e Costa Rica, jogam a partir das 9h, e para atrair o público cedo, vamos incluir um brunch gratuito a quem fizer a reserva que dá direito a cada uma das quatro pessoas de uma mesa de R$ 200 consumir livremente R$ 50", indica.


