Conforme relatos ouvidos pela FOLHA, pesquisadores fazem de tudo para manter suas pesquisas vivas frente à muitas adversidades
Conforme relatos ouvidos pela FOLHA, pesquisadores fazem de tudo para manter suas pesquisas vivas frente à muitas adversidades | Foto: Anderson Coelho/28-06-2017



A reestruturação da agricultura proposta pelo novo governo do Paraná - principalmente quando se trata da aglutinação em uma única empresa dos serviços prestados pelo Iapar, Emater , Codapar e CPRA - tem gerado discussão e divergência entre lideranças e players da cadeia do agro estadual sobre qual caminho seguir, inclusive dentro do próprio instituto de pesquisa com sede em Londrina.

De um lado, governo e pesquisadores de longa data que acreditam que essa é a melhor estratégia para a modernização dos trabalhos, enxugamento da máquina pública, planejamento integrado das entidades e assim dando uma melhor eficiência, que atualmente está distante de ser característica do Iapar. Do outro, pesquisadores com plena certeza que a tal fusão trará ainda mais letargia aos processos, com a pesquisa perdendo força frente à extensão rural e não solucionando situações críticas de trabalho existentes dentro do instituto, como falta de pessoal e estrutura, em alguns casos, precária.

Independentemente de qual será o planejamento estratégico do governo daqui em diante - com fusão ou não, o que será definido até final de fevereiro, segundo o secretário da Agricultura, Norberto Ortigara - o alerta vermelho está ligado no dia a dia do Iapar. A reportagem da FOLHA conversou de forma exclusiva com pesquisadores da entidade que fazem de tudo para manter suas pesquisas vivas frente à muitas adversidades enfrentadas. Situações reais que comprovam que a pesquisa, muitas vezes, está em segundo plano. Eles preferiram não se identificar para evitar transtornos dentro da instituição.

PARCERIAS
O primeiro pesquisador que conversou com a reportagem disse que, em relação à pessoas, sua área está tranquila. Agora, se necessita por exemplo de um operador de máquinas de outro departamento - já que há um trabalho em sinergia entre as estações - a situação complica. "Isso a gente ainda consegue dar um jeito. O problema é quando precisamos fazer uma manutenção em maquinário, não tem um bico pulverizador, falta uma correia, são coisas pequenas, mas difíceis de comprar. Você pede hoje, demora quatro meses para chegar", relatou.

A "salvação da lavoura", segundo ele, para que as pesquisas não fiquem paradas ou em morosidade absurda tem sido as parcerias público privadas (PPP). "Via Fapeagro (Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio), fazemos as parcerias em contrato tripartite: Iapar, Fapeagro e parceiro privado. Numa urgência, consigo pegar o dinheiro do parceiro com a fundação, que faz a gestão financeira, e assim não preciso dos recursos do Iapar. Eles fazem as compras, me dão suporte. Nos trabalhos do departamento, saímos de nota 4 para nota 8 graças a essas parcerias. Numa urgência, se aparecer uma praga, por exemplo, o Iapar não consegue comprar um inseticida de hoje para amanhã, mas a fundação sim."

Já numa outra área, o principal problema é de pessoal. Não há técnicos de laboratórios para ajudar o pesquisador e uma equipe reduzida trabalha com commodities fundamentais para a pujança do agro paranaense dado ao volume produzido, mas que falta gente para o trabalho dentro do instituto. "Não tenho uma equipe por trás, há muitos problemas nessas culturas e se for pensar, existimos justamente para resolver esses problemas."

Além disso, o pesquisador relata que quando o Iapar busca pessoas, "contrata pouco e contrata mal". "Não está fácil, falta dinamismo e não conseguimos construir uma equipe de trabalho", salientou. "Na pesquisa, a burocracia dificulta tudo. Não conseguimos comprar nada. Faz um pedido hoje e ele chega daqui a dois anos, já passou o tempo de trabalho... O produto chega quando já acabou a pesquisa, isso não existe, mas acontece com recorrência."

OPÇÕES
Em relação a fusão, ambos os pesquisadores que conversaram com a reportagem não acreditam que seja a melhor opção. Eles citam modelos de outros Estados que não deram certo, acreditam que pelas escolhas da Seab para a diretoria a pesquisa vai perder força frente à extensão rural, por exemplo, e acreditam que o melhor caminho é o modelo de São Paulo, da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios). "É um modelo mais promissor, também com várias instituições, gestão centralizada e racionalização da administração [recursos], mas mantiveram a autonomia e essência de cada órgão. Da forma com que estão propondo, essa autonomia vai ser perdida", acredita.

O outro pesquisador disse que o Iapar precisa rever o que é mais importante daqui para frente em relação às pesquisas. "É preciso focar em alguns trabalhos de maior resultado. Não conseguimos abraçar tudo, é preciso ter foco."

O tema será colocado à mesa às 15 horas desta terça-feira (8), quando lideranças políticas e de entidades do setor produtivo londrinense se reunirão com o governador Ratinho Jr., no Palácio Iguaçu, para melhor entender a estratégia para o Iapar.

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