Curitiba - Na área da tecnologia, um assunto em pauta no momento é a influência das redes sociais no cotidiano da população. Twitter, Facebook, Orkut, MySpace e outros sites mexem cada vez mais com as relações interpessoais e geram discussões em várias vertentes. Uma delas diz respeito à influência dos usuários na disseminação de informações. Seriam os internautas capazes de se tornarem fontes e autores de notícias?
Esse foi o principal assunto de um encontro, promovido pelo Grupo Educacional Uninter, que reuniu em Curitiba profissionais do jornalismo nacional. Uma delas foi a apresentadora do jornal da Globo, Christiane Pelajo, que considera as redes sociais fundamentais para o trabalho da comunicação. Ela cita como exemplo os terremotos no Haiti, quando os jornais e televisões receberam quase que instantaneamente informações e fotos sobre o acidente por meio do Twitter. ‘‘Essa foi a principal forma de encontrar informações, pois as redes locais entraram em colapso com o terremoto’’, explica.
Dessa forma, pessoas comuns puderam transmitir ao mundo qual era a situação real dos habitantes da região. Apenas depois, com mais tempo, os jornalistas puderam apurar os dados e transmitir os comunicados oficiais, como o número de mortos e feridos.
O jornalista Ricardo Boechat, âncora do jornal da Band e Band News FM, lembrou das recentes tragédias no Rio de Janeiro, quando centenas de pessoas morreram por conta do excesso de chuvas na cidade. Boa parte do conteúdo noticiado pelos jornais foi feito pelo público que enviou mensagens captadas pelo celular. ‘‘As equipes (de jornalismo) não conseguiram ter acesso para entrar em muitos lugares e o telespectador contribuiu bastante. Eu acho ótimo que todo mundo possa participar da informação’’, relata Boechat.
Na opinião do âncora do jornal do SBT, Hermano Henning, hoje o jornalista aparece como um complemento, já que todas as pessoas podem participar da divulgação da notícia. ‘‘Quando comecei na televisão, nem imaginava onde isso (chegaria evolução na comunicação on-line). Mas a palavra chave ainda é credibilidade’’.
O escritor e jornalista investigativo Cláudio Tognolli vê o assunto com cautela e preocupação. Para ele, a participação do público na divulgação da informação deve seguir alguns cuidados importantes, para que não se cometam erros na apuração do conteúdo. ‘‘Nós jornalistas somos cobrados pela divulgação da verdade. Temos sempre que ouvir os dois lados (quem acusa e quem é acusado, quem diz que é certo e errado). O público deve ter esta mesma respon-sabilidade’’, alerta. Ele acredita que a participação efetiva da população na disseminação da informação pode trazer apenas uma opinião sobre determinado assunto e, assim, comprometer a verdade.
Christiane Pelajo acha que o próprio leitor ou telespectador atua como ‘‘juiz’’ e saberá dar credibilidade para quem merece. ‘‘Tem muita mentira na rede. Algumas pessoas elogiam o (jornalista) Arnaldo Jabor por textos de opinião que recebem por e-mail dando crédito à ele. Mas o próprio Jabor fala que muitos daquelas materiais não são dele’’.
Nessa moda onde qualquer pessoa pode virar informante, Tognolli destaca a importância do jornalista na divulgação da notícia. Ele acredita que é função do comunicador interpretar a informação e colocá-la dentro de um contexto para que o público analise. O jornalista ainda defende a exigência de um cadastro prévio para que os leitores possam contribuir com informações aos veículos e sites, por meio de comentários. Assim poderá haver algum controle sobre cada opinião. ‘‘Durante a vida profissional do jornalista, a ética é muito cobrada. Está na hora do público ter a mesma responsabilidade’’.

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