Dona de um brechó na região Central de Londrina, Denise Aparecida Veiga, decidiu seguir o modelo mais conceitual
Dona de um brechó na região Central de Londrina, Denise Aparecida Veiga, decidiu seguir o modelo mais conceitual

Uma tendência nos Estados Unidos e na Europa, os brechós com cara de lojas multimarcas começam a se popularizar por aqui. Associados com a crise econômica e ao conceito de sustentabilidade, esses comércios estão crescendo e são uma boa opção para economizar ou ganhar um dinheiro extra.

Dona de um brechó na região Central de Londrina, Denise Aparecida Veiga, decidiu seguir esse modelo mais conceitual. Inicialmente, ela anunciava as peças pelas redes sociais e vendia em casa, mas há quatro anos decidiu abrir um espaço físico. “Me espelhei no exterior aonde os brechós tem um jeito de boutique”, comentou.

Para ela não há crise. “Eu ando pelo centro e vejo as lojas todas vazias, mas aqui eu tenho movimento todo o dia”, revelou. A loja trabalha com roupas, calçados e acessórios tanto de marcas populares como de grifes. Nas araras é possível encontrar peças da Zue, Forever, Zara, Gregory. “As roupas têm que estar em perfeito estado, sem defeito e serem roupas atuais ou retrô”, explicou.

Ela conta que garimpa muitos itens em outros brechós, mas grande parte vem de pessoas que levam as peças para vender. “Tem muita gente bem de vida que vende as roupas. Elas não querem mais doar, preferem vender e ter um dinheiro extra para gastar com outras coisas. Tem roupas que vem com etiquetas”, disse.

O giro das mercadorias é rápido. Ela acredita que as pessoas estão comprando mais em brechós pela economia, mas também por encontrar coisas diferenciadas. Os jovens estão procurando as lojas atrás de peças retrôs para compor looks mais despojados.

O brechó das primas Regiane Leal e Vânia Leal também segue esta tendência. O espaço funciona em um centro comercial e tem o visual de loja. “Muita gente pensa que é uma loja de roupas novas e se surpreende quando digo que é brechó”, contou Regiane. O local trabalha com roupas de grandes marcas como Fórum, M.Office, Brooksfield. Regiane revelou que já teve até uma jaqueta Dolce & Gabbana.

Os fornecedores são pessoas que fazem muitas compras no exterior e querem abrir espaço no closet, mas também há quem coloque a peça para venda por questões financeiras. As sócias trabalham com a modalidade de consignado.

O economista Roberto Kanter, professor dos MBAs da FGV, afirma que essa ideia de comércio ou troca de itens usados está na linha da economia colaborativa. “As pessoas estão dividindo as coisas, carros, casas, roupas. Há uma tendência de clube de compras”, disse.

As plataformas de compra, venda e troca de roupas, calçados, acessórios são cada vez mais comuns. Uma navegada nas redes sociais é fácil encontrar posts de desapego. “Tem tido um movimento não só nas lojas, mas de várias plataformas e tem sido uma fonte de renda para as pessoas”, exemplificou o economista.

Negociar calçados femininos virou um hobby para a estudante Izabela Alves, 24. “Procurando com bastante paciência, consigo achar ótimos preços e fazer uma economia muito relevante comprando calçados seminovos”, contou. A estudante criou em 2013 um grupo nas redes sociais destinado ao desapego feminino. “Criei o grupo devido a uma carência de algo segmentado somente para o público feminino”, disse.

Alves acredita que o desapego deve crescer. “Com certeza é uma tendência que deixa o consumismo do novo de lado e se aproveita das opções seminovas disponíveis nos grupos de venda e troca. Além da economia do próprio dinheiro, isto também garante uma ação sustentável ao final”, afirmou a estudante.

Para o professor Kanter, essa mudança de comportamento do consumidor está associado há múltiplas variáveis como a crise econômica, uma visão de mundo mais sustentável, propensão de ganhar dinheiro, participar de um movimento de modismo.

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