Com novas unidades, Coamo reúne produtores em encontro em Cambé
Cooperativa comprou quatro estruturas de armazenagem de grãos que estavam arrendadas à Belagrícola, em fase de recuperação extrajudicial
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Cooperativa comprou quatro estruturas de armazenagem de grãos que estavam arrendadas à Belagrícola, em fase de recuperação extrajudicial
A Coamo Agroindustrial Cooperativa reuniu dezenas de produtores rurais na manhã desta segunda-feira (23) em um encontro na nova unidade da associação na Avenida José Bonifácio, em Cambé, estrutura antes utilizada pela Belagrícola. O objetivo é apresentar a Coamo para os possíveis novos associados que têm propriedades em toda a região.
Airton Galinari é presidente executivo da Coamo e explica que os encontros com os produtos funcionam como um “cartão de visitas” para que eles conheçam a cooperativa e o que vem sendo feito através do associativismo. “Nós estamos convidando os produtores para que eles venham conhecer todos os trabalhos que a cooperativa faz para que eles possam melhorar suas atividades”, detalha, complementando que o objetivo de uma cooperativa é gerar renda para seus cooperados.
A equipe da Coamo, segundo ele, ainda vem fazendo um mapeamento do número de produtores na região, já que a vinda da cooperativa para o Norte do Paraná foi um movimento rápido, assim como ainda não há uma estimativa de quantos novos associados devem integrar a Coamo após essa expansão.
Entretanto, o presidente afirma que a sensação é de segurança, já que muitos produtores da região são associados de unidades em cidades próximas, como Faxinal e Marilândia, e agora têm a opção de migrar para um entreposto mais próximo. “A expectativa é a melhor possível”, afirma.

A compra das quatro unidades de armazenagem agrícola foi anunciada pela Coamo no final de janeiro, cerca de três semanas após o início das negociações. Além de Cambé, as estruturas adquiridas ficam nas cidades de Assaí, Sabáudia e Bela Vista do Paraíso, todas na Região Metropolitana de Londrina. O investimento total foi de R$ 136 milhões, valor que será pago em cinco parcelas. As instalações pertenciam ao Fundo Pátria e estavam arrendadas à Belagrícola desde 2020.
A Coamo foi fundada por 79 produtores rurais em 1970. Hoje, são 32.716 associados, sendo que a cooperativa está presente em 80 municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, totalizando 124 unidades.
Sobre a expansão, o presidente explica que a Coamo quer crescer, mas crescer com objetivo. Segundo ele, a cooperativa compete no mercado frente às grandes multinacionais, tanto no mercado interno quanto externo, sendo fundamental ter uma massa de negociação para continuar crescendo em volume de grãos e peso diante os fornecedores de insumos para trazer um negócio cada vez melhor para os cooperados.
Ele destaca ainda que a região Norte do Paraná tem um potencial produtivo gigantesco, com produtores rurais capacitados, e que, juntos, têm a capacidade de trazer crescimento para todos.
As unidades de armazenamento de grãos vão funcionar como um entreposto, sendo uma “projeção” da sede mais próxima dos cooperados. A expectativa é de que, atingindo um número mínimo de associados, a cooperativa consiga levar para a estrutura uma agência do Credicoamo e uma loja de peças e equipamentos.
Galinari afirma que o cooperativismo vem para mostrar que fazer algo em conjunto é muito mais fácil do que fazer sozinho. Segundo ele, as cooperativas não concorrem diretamente com os seus cooperados, mas trabalham para agregar valor ao que é produzido por eles através, por exemplo, da industrialização.
Ele exemplifica o caso de indústrias de soja ou de etanol, que necessitam de investimentos bilionários. “É difícil o produtor fazer isso sozinho, mas quando ele se junta em cooperativa ele consegue ter massa para fazer esse negócio, tanto condições de pegar financiamentos quanto volume de matéria-prima”, explica.
De acordo com o presidente, isso vale até mesmo para a compra de insumos, em que o valor negociado através da cooperativa é muito mais vantajoso para o produtor do que a compra no mercado. Além do mais, o lucro obtido ao final do ano através da cooperativa também é dividido entre seus associados.
Airton Galinari destaca ainda que os associados da Coamo também têm acesso à créditos através da Credicoamo. A cooperativa de créditos é voltada exclusivamente para os cooperados da Coamo, no que o presidente define como um ecossistema. “Quando o produtor se associa, ele tem o que gente chama de um shopping center, já que ele tem o banco, a loja, onde ele pode comprar tudo aquilo que ele precisa, tem assistência técnica, tem uma unidade de assistência de grãos onde ele pode entregar sua produção com segurança e a comercialização é feita ali também”, detalha, citando que a Credicoamo é uma maneira do produtor de estruturar e crescer junto à cooperativa.

Presidente do Conselho de Administração da Coamo e da Credicoamo e um dos fundadores da cooperativa, Aroldo Gallassini explica que as unidades adquiridas têm capacidade e estrutura para o recebimento da produção, que já começou com a safra de 2025/2026 de milho e soja. “Os produtos estão entusiasmados e, futuramente, vão resolver se vão se filiar, isso demora um tempo, mas estamos fazendo um trabalho para que tenhamos quatro unidades bem produtivas aqui na região”, afirma.


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.


