Com novas regras diesel terá menos emissão de poluentes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de setembro de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O mercado de diesel deve ter novas regras de emissões de poluentes dentro de um prazo de oito anos. A ideia é reduzir em 50% a emissão atual de material particulado (que pode ser associado à fumaça preta) e em 80% o óxido de nitrogênio que são lançados no meio ambiente a partir da queima do combustível no motor dos veículos. Devido ao aumento da tecnologia envolvida neste processo, o diesel deve ficar mais caro para o consumidor. A previsão é do físico e coordenador de conteúdo do 11º Fórum SAE Brasil de Tecnologia de Motores Brasil, Gilberto Leal. O evento encerra hoje em Curitiba.
Ele explicou que vai mudar a tecnologia de queimar o combustível no motor e a forma de tratar os gases de escape. Estes gases terão que ser tratados dentro do veículo, através dos filtros no sistema de escapamento para o material particulado que deve ser reduzido de 0,2 grama para 0,1 grama para cada quilowatt de potência por hora. O óxido de nitrogênio deverá cair de 2 gramas para cada quilowatt de potência por hora para 0,04 grama com a utilização de catalisadores.
Ele defende que esta ação deveria estar combinada com uma renovação de frota no País, especialmente, de ônibus e caminhões.
Leal lembrou que, em janeiro de 2012, entraram em vigor novas regras para o setor também em relação à emissão de poluentes, o que acabou onerando o transporte. Segundo ele, a partir disso, o diesel ficou de 8% a 15% mais caro.
Com as mudanças de 2012, ocorreu redução de 80% nas emissões de material particulado e de 60% no lançamento de óxido de nitrogênio. Ele destacou que, para isso, ocorreram alterações no diesel e nos motores. Segundo ele, ocorreram muitas mudanças ao mesmo tempo envolvendo motores e tecnologia. O Brasil fez em três anos o que a Europa realizou em dez anos, destacou.
Preços
O aumento dos preços dos combustíveis, em especial da gasolina, é aguardado para depois das eleições de outubro. Esse reajuste vem sendo represado nos últimos meses pelo governo federal. Leal acredita que o diesel não passe ileso neste reajuste que será promovido nos combustíveis e tenha uma alta junto com a gasolina. Ele destacou que hoje o diesel é muito utilizado no Brasil tanto para transporte de pessoas como de cargas, já que o modal mais usado no País ainda é o rodoviário. Segundo ele, os que mais consomem este combustível são ônibus e caminhões acima de 15 toneladas.
Segundo ele, o objetivo é buscar o binômio de eficiência e sustentabilidade no consumo de diesel. O Fórum SAE Brasil de Tecnologia de Motores Diesel realiza várias discussões para contribuir com ideias do que é necessário mudar para as novas alterações que serão propostas pelo governo federal para o ano de 2022.
Ele destacou ainda que a busca pela redução de consumo de diesel é contínua, seja na redução do atrito interno gerado pelos componentes do motor, na aplicação correta do motor, minimizando suas necessidades de trocas térmicas e maximizando seu aproveitamento por meio de caixas de mudanças dimensionadas coerentemente e de reduções e eixos traseiros, feitas de forma a adequar o trabalho do veículo.


