Com menos confiança e crédito, vendas caem
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Agência Estado 
Rio de Janeiro e São Paulo - A restrição ao crédito e a queda da confiança do consumidor se refletiram nas vendas do comércio varejista em dezembro, que caíram 0,3% em relação a novembro, no terceiro resultado negativo consecutivo na evolução mensal. Mesmo quando comparado a dezembro de 2007, o crescimento de 3,9% foi a menor expansão apurada para o mês desde 2003. No ano, as vendas cresceram 9,1% em relação ao ano retrasado. Em 2007 em relação a 2006, o crescimento havia sido de 9,7%.
As vendas do varejo confirmam o óbvio, disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, para quem o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre será medíocre, com queda de 2,2%. Segundo o IBGE, o varejo registrou aumento de 6% nas vendas no quarto trimestre do ano passado em relação a igual período de 2007, bem inferior as altas apuradas no terceiro (10,2%), segundo (9,3%) e no primeiro trimestres (11,8%). Para o técnico da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, esses resultados mostram evidências dos efeitos da crise sobre o setor.
Segundo Pereira, a desaceleração do crescimento no último trimestre do ano passado foi puxada, especialmente, por atividades vinculadas ao crédito e impediu um aumento de dois dígitos no resultado acumulado do varejo em 2008, que de janeiro a setembro atingia 10,4% e, no fechamento do ano, reduziu o ritmo para uma alta de 9,1%.
De acordo Pereira, além da restrição de crédito, a falta de confiança do consumidor, com medo de se endividar e perder o emprego, também afetou o varejo no período entre outubro e dezembro de 2008. Para ele, a partir de janeiro deste ano, os resultados do varejo vão depender dos preços dos produtos, condições de crédito e desempenho do mercado de trabalho.
As principais quedas registradas nas vendas do varejo em dezembro em relação a novembro ocorreram em outros artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui lojas de departamento, com recuo de 3,7% nesta base de comparação; e móveis e eletrodomésticos, também com queda de 3,7%. O segmento de hiper e supermercados, produtos alimentícios e bebidas, com maior peso na pesquisa, registrou variação zero.
As vendas a prazo no comércio de Curitiba, região metropolitana e litoral registraram queda de 22,19% em janeiro sobre o movimento de dezembro de 2008 e de 4,81% em relação a igual período de um ano atrás, tomando por base o número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), segundo dados do levantamento Indicadores do Comércio da Associação Comercial do Paraná (ACP). No Videocheque, cujas consultas sinalizam as vendas à vista, a queda foi ainda maior, de 27,39% no primeiro mês de 2009 sobre o mês anterior e de 4,40% a janeiro de 2008.


