São Paulo - O cenário político brasileiro voltou a influenciar o mercado de câmbio ontem, após as manifestações a favor de um impeachment contra a presidente Dilma Rousseff terem registrado, no último domingo, um menor número de participantes do que em protestos anteriores. A deterioração do ambiente externo também pressiona a cotação do dólar sobre as moedas emergentes nesta sessão, em mais um dia de baixa nos preços de importantes matérias-primas, como o petróleo, que se mantém no menor valor em mais de seis anos.
Às 13h (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, subia 0,22%, para R$ 3,892 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, avançava 0,54%, para R$ 3,893. Ambas as cotações atingiram máximas na casa de R$ 3,92 nesta sessão. Entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, o dólar subia contra 14. O real tinha a quarta maior queda sobre a divisa dos Estados Unidos, atrás da rupia indonésia, do rublo russo e do ringgit malásio. Internamente, o mercado opera com cautela nesta semana de olho no quadro político.
O STF (Supremo Tribunal Federal) deve decidir amanhã sobre a validade da votação dos membros da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisará a abertura do impeachment contra Dilma. E hoje, o Congresso deve votar a LDO (Lei das Diretrizes Orçamentárias). Por volta das 13h (de Brasília), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía -0,38, para 45.091 pontos.
Lá fora, o principal evento da semana fica por conta da última reunião de política monetária do Federal Reserve (banco central dos EUA) no ano, que termina na quarta-feira. É esperado que a autoridade americana comece a subir os juros daquele país, que estão perto de zero desde a crise de 2008.

FUGA DE RESERVAS


A expectativa é que a alta dos juros provoque uma fuga de recursos hoje aplicados em países emergentes para os EUA, encarecendo o dólar. Isso porque a mudança deixaria os títulos do Tesouro americano, cuja remuneração reflete a taxa, mais atraentes que aplicações em emergentes, considerados de maior risco. O Banco Central do Brasil deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos que estão previstos para o mês que vem. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou
US$ 547,4 milhões. No mercado de juros futuros da BM&FBovespa, o DI para janeiro de 2016 caía de 14,150% para 14,145% às 13h. Já o DI para janeiro de 2021 subia de 16,000% para 16,140%

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