São Paulo - O consumidor residencial nem vai perceber a redução nas tarifas anunciada semana passada pelo governo, depois do megaleilão de eletricidade. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o ganho apurado no evento - decorrente da queda nos preços da energia vendida pelas geradoras para as distribuidoras - representará uma redução média de 2,5% no custo da eletricidade nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Na prática, a conta de luz subirá menos, mas dificilmente cairá, segundo especialistas.
Isso porque a energia é apenas um dos itens que compõem a tarifa, explica o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Luiz Carlos Guimarães. Ele lembra, por exemplo, que apenas o repasse do aumento das alíquotas de PIS e Cofins (de 0,65% para 1,65% e de 3% para 7,6%, respectivamente), que ainda não foi embutido no preço cobrado do consumidor, representará um avanço de 3% na conta de luz.
Ou seja, o ganho obtido no megaleilão da semana passada seria praticamente nulo. Mas essas questões fogem da esfera do Ministério de Minas e Energia. Um corte nos impostos, por exemplo, significaria menos arrecadação e poderia comprometer as metas do governo federal. Para 2005, a tendência é que a carga tributária continue a crescer e atinja 43,83% dos valores recebidos pelas distribuidoras dos consumidores.
Além disso, uma parte do reajuste das distribuidoras é feito com base no IGP-M, que só neste ano já acumulou alta de 11,59%, até novembro. Outro fator que tem pressionado as tarifas de energia é o custo da transmissão, que subiu 546% entre 1999 a 2004. ''O custo da energia foi o único que caiu. Os demais componentes da tarifa continuam subindo'', argumenta o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina), Roberto Pereira D'Araújo.
Mas, apesar do impacto pequeno nas tarifas residenciais, os preços mais baratos vão evitar que os reajustes fiquem bem acima dos índices de inflação, como nos últimos anos.

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