Com medo do petróleo, Copom mantém juros básicos em 18,5%
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quarta-feira, 17 de abril de 2002
Agência Folha 
Brasília - O Banco Central interrompeu a sequência de reduções dos juros observada nos últimos dois meses e manteve a taxa Selic em 18,5% ao ano. A decisão foi tomada ontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC). Não foi indicado viés, o que significa que a taxa vai continuar em 18,5% até a próxima reunião do comitê, marcada para os dias 21 e 22 de maio.
Para justificar a manutenção dos juros, o BC divulgou uma nota dizendo que a convergência mais lenta da inflação às suas metas, associada aos efeitos secundários dos choques dos preços administrados, levou à decisão. Isso significa que, para o BC, o aumento do preço do petróleo no mercado internacional - e o consequente reajuste no preço da gasolina - é a principal ameaça à continuidade da queda dos juros, devido ao seu impacto na inflação. A preocupação do BC é que o reajuste da gasolina seja repassado para outros preços.
Para evitar isso, os juros não foram reduzidos. Segundo projeções do BC, a inflação deste ano ficará acima da meta de 3,5% fixada pelo governo - embora dentro da margem de tolerância de dois pontos percentuais.
A interrupção na queda dos juros frustra as expectativas dos aliados do pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. Eles contam com uma queda dos juros para ativar a economia e melhorar a popularidade do governo e, por tabela, a de Serra. Foi por isso que Serra criticou a política de reajuste de preços da Petrobras, um dos motivos para o BC mudar sua política.
Desde a última reunião do Copom, os conflitos no Oriente Médio provocaram uma disparada do preço do petróleo no mercado internacional. A alta foi repassada, pela Petrobras, para o preço da gasolina no Brasil. Nas refinarias, o último reajuste foi de 10,08%. Embora tenha impacto na inflação, o BC classifica o aumento no preço da gasolina, combinado com o reajuste de tarifas públicas, como um choque de oferta. Trata-se de um jargão usado por economistas para identificar aumentos de preços temporários que não podem ser controlados com aumentos na taxa de juros.
Segundo o BC, esse choque vai ter um efeito de até 0,9 ponto percentual na inflação deste ano, que, segundo projeções da instituição, deve ficar em 4,4%. A estimativa, porém, foi feita antes do último reajuste da gasolina, e o BC já disse que pode rever essa projeção.


