O ''efeito utrapassagem'' está fazendo com que economias emergentes como a do Brasil passe à frente de potências econômicas no quesito crescimento. Se os EUA era a locomotiva da economia mundial, o vagão de países em franca aceleração econômica como a China, começa a pedir passagem com o combustível da modernização industrial, produtividade e qualidade. É bom que se diga, mesmo num ambiente de crise, o Brasil irá desacelerar a produção em 2009, porém não deixará de crescer. As ponderações e afirmações são do economista Vanderlei Sereia, da UEL.
Os reflexos da crise financeira mundial falam por si. Nos últimos dois trimestres economias como a dos EUA, Inglaterra e Japão apresentaram crescimento negativo. Enquanto isto, no Brasil, o IBGE aponta que o volume e a receita de vendas acumulam este ano, respectivamente, crescimento de 8% e 13,3%. Mesmo a China, que cresceu 13% do seu PIB este ano, vai desacelerar para 9%, segundo previsões de especialistas.
Neste cenário, o professor da UEL argumenta que o parque industrial dos países emergentes está mais modernizado do que o dos países ricos. Segundo ele, isto tornou os países em desenvolvimento competitivos não só na produção, mas no preço e na qualidade. O estudioso aponta que o desafio das nações ricas, além da crise financeira, é modernizar seu parque industrial, a questão é como fazer isso sem crédito para implementar tal modernização. ''E leva anos para fazer isso'', destaca o economista.
Sereia declara que o Brasil vai crescer 5,2% do PIB este ano e deve sustentar seu crescimento ano que vem, porém em torno de 4%. Ele pondera também, que o segundo maior pico histórico na criação de emprego aconteceu este ano. ''A criação de emprego indica que o consumo está aquecido. Indica algo mais, que a crise financeira está descolada do mundo produtivo'', conclui. (E.P.F.).

mockup