Fugir dos juros e pagar as contas em dia são as principais dicas que economistas ouvidos pela Folha dão ao consumidor neste momento de desaceleração ecônomica e aumento de preços.
De acordo com o economista e especialista em economia doméstica Mauro Halfeld, o momento é de frear o consumo. Se a pessoa quiser comprar algo, que seja pagando à vista, e sem entrar em crediário, opina. ‘‘Quem compra uma geladeira parcelada em 20 vezes, no final acaba pagando o valor de três geladeiras’’, afirma. Ele acrescenta que essa dica vale para qualquer momento, e não só durante crises. ‘‘Isso é jogar dinheiro fora’’, opina.
Segundo Halfeld, o consumidor tem algumas maneiras de tentar controlar o orçamento familiar. ‘‘Não é impossível fazer economia de 10% na conta da água, nos moldes que as pessoas estão fazendo com a de energia, nem diminuir em 20% gastos com alimentação fora de casa’’, cita. Ele também sugeriu que a pessoa se torne revendedor de algum produto, por exemplo, para aumentar a receita familiar.
O economista técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, ponderou que é preciso analisar bem antes da pessoa optar por ter um segundo emprego. ‘‘Hoje o trabalho já é estressante na jornada normal. Se fizer sobrejornada, poderá estar comprometendo a saúde’’, analisa. ‘‘Mas diante das necessidades, muitas vezes não há outra saída’’.
Cordeiro sugere que os consumidores paranaenses, mesmo fora da obrigatoriedade de economizar 20% de energia elétrica, adotem esta meta de racionamento. Ele diz que essa é uma maneira de neutralizar o aumento anual (17,31%) que a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), adotou desde domingo.
As férias de julho também não precisam ser sacrificadas em nome da economia, opinam os dois economistas. ‘‘É importante para o trabalhador tirar férias, ter momentos com a família. Basta para isso descobrir formas de lazer mais baratas’’, diz Halfeld. ‘‘Não é preciso conhecer a Disneylândia agora, e por que não conhecer o interior do Paraná?’’, sugere.
ReservasPara Halfeld, esse momento de desaceleração ecônomica pode ser bem aproveitado por quem tiver dinheiro poupado. ‘‘Aqueles que conseguem poupar podem ter agora boas oportunidades, com a compra de imóveis, por exemplo, que estão mais baratos’’, orienta. Porém ele salienta que apenas sugere compras se elas puderem ser pagas à vista. ‘‘Com dinheiro na mão, a pessoa tem grande poder de barganha, além de não entrar em contratos com juros altos’’, afirma.
Na avaliação de Halfeld, é fundamental um trabalhador manter uma reserva de dinheiro de seis vezes o valor de suas despesas mensais. ‘‘Isso não pode ser usado para trocar de carro nem para viajar, mas apenas emergências’’, diz. Ele cita que investimentos em renda fixa são a melhor opção atualmente, por terem rendimento bem maior do que a poupança e segurança semelhante. Segundo ele, o investidor deve procurar uma instituição sólida e que ofereça taxas baixas de administração. (Rosana Félix)

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