Com isenção, empresa volta a produzir no PR
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Vinícula Campo Largo está de mudança para o Paraná. A proposta do governo estadual de isentar o setor vitivinicultor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 6%, com o objetivo de estimular o plantio de uvas e a produção regional de bebidas e derivados, foi o diferencial para que a empresa retomasse as atividades no Estado, após 30 anos de produção de vinhos e sucos em São Marcos (RS), na Serra Gaúcha.
A primeira atuação da vinícula é a transferência da produção de sucos para uma unidade industrial, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Cerca de R$ 4,5 milhões já foram investidos em equipamentos. A expectativa é que a fábrica processe 2,5 milhões de litros dentro em oito anos de funcionamento, com matéria-prima dos parrerais paranaenses.
Em outubro passado, a Campo Largo distribuiu para 160 famílias da RMC, cerca de 18 mil mudas. Neste ano serão mais 80 mil. Todas as mudas são certificadas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Toda a safra será comprada pela vinícula.
A primeira colheita será em 2010. Até lá, continuarão chegando carretas de uvas oriundas do Rio Grande Sul. Até o final de fevereiro, 20 delas com 25 toneladas cada desembarcarão na RMC. O diretor-presidente da vinícula, Giorgeo Zanlorenzi, explica que até a formação do polo, as uvas podem ser importadas, e mesmo com a isenção do ICMS, neste primeiro, o benefício é anulado com o gasto do frete. Mesmo assim, ele destaca que é um excelente negócio para o desenvolvimento da vitivinicultura no Estado e também da agricultura familiar, a médio prazo.
Vamos ganhar competitividade nos preços com o incentivo fiscal, comemora ao afirmar que os consumidores sentirão no bolso uma certa economia. Para ele, os R$ 15 milhões gastos em média com a compra de uvas no RS por empresas paranaenses, retornará ao Estado. O setor está mais confiante para investir e manter a produção aqui, analisa.
O empresário calcula uma redução de custos em 10% diante da isenção do imposto e da facilidade na logística, com a unificação do processo. Os produtos da Campo Largo eram processados na Serra Gaúcha e envazados e distribuídos pelo Paraná. Zanlorenzi estima que entre 10 a 12 anos toda a cadeia produtiva da vinícula estará instalada por aqui de sucos e vinhos. A empresa saiu do Estado e, 1977 em decorrência de uma praga.
O mercado de suco de uva cresceu no ano passado 17% quando foram consumidos 23,1 milhões de litros. O volume representa cerca de 10% do mercado de vinhos, registrado em 214 milhões de litros em 2008.
A Campo Largo aposta na mudança dos hábitos alimentares do brasileiro para aumentar a participação do suco no faturamento global da empresa, que hoje é de 2%. A pretensão é chegar a 10% em cinco anos.
O suco tem as mesmas propriedades que o vinho, mas como é sem álcool tem conquistado adeptos da vida saúdavel, que uma tendência mundial, muito forte no Brasil, conta Zanlorenzi.


