Com interesse crescente no agro, IA é pauta do EncontrosFolha
Debate nesta terça-feira (27) vai reunir especialistas, gestores e representantes do poder público para discutir o avanço da Inteligência Artificial e seu papel estratégico no futuro do setor
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 2025
Debate nesta terça-feira (27) vai reunir especialistas, gestores e representantes do poder público para discutir o avanço da Inteligência Artificial e seu papel estratégico no futuro do setor
Lúcio Flávio Moura - Especial para a FOLHA 

A última edição da Global CEO Survey, uma pesquisa global da PwC, a influente multinacional de consultoria e auditoria com sede em Londres, revela que 78% dos líderes empresariais do agronegócio brasileiro planejam investir na integração da Inteligência Artificial (IA) com plataformas tecnológicas, um patamar claramente acima da média dos outros setores, com pouco menos de 70%.
Seis em cada dez destes líderes acreditam que a IA Generativa (que cria novos conteúdos) terá um impacto positivo na lucratividade do setor nos próximos anos, uma fatia bem maior que a de 2024, quando a maioria ainda não estava tão otimista - 54% dos entrevistados.
Os dados constam no documento “A Reinvenção do Agronegócio Brasileiro”, lançado em abril pela PwC Brasil, que revela outros dados que corroboram o choque de confiança que o fenômeno tecnológico tem experimentado entre os gestores do setor.
Segundo o Índice Transformação Digital Brasil (ITDBr), 36% das empresas do agronegócio no Brasil aplicam IA, muito acima da média geral de 20%. O motor que gera este “match” entre a IA e o agro é a preocupação de não ficar para trás em um setor tão internacionalizado: 44% dos CEOs do agronegócio acreditam que suas empresas não serão economicamente viáveis nos próximos dez anos sem mudanças significativas, um salto preocupante em relação aos 31% registrados em 2024.
De olho nesta nova fronteira de interesse que une o mercado tradicional, as instituições públicas e privadas de ensino e de pesquisa e uma nova geração de empreendedores, o Grupo Folha de Londrina promove na próxima terça-feira (27) a 23ª edição do Encontros Folha, que começa a partir das 18 horas no Centro de Convenções do Aurora Shopping.
“A Inteligência Artificial já faz parte da nossa vida e não poderia ser diferente no agronegócio. Discutir os desafios e as vantagens desta nova ordem em um setor que é tão importante para nossa região e nosso Estado é realmente algo muito importante para o debate público sobre o desenvolvimento regional”, defende o CEO do Grupo Folha de Londrina, Nicolás Mejía. “Depois de 11 anos promovendo este evento regularmente, a FOLHA permanece atenta ao que há de mais novo e vai seguir sendo um indutor relevante neste processo de informar o público e de aprimorar a análise das conjunturas e dos cenários”.
Presença do secretário estadual
O evento vai contar com a participação do secretário de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani. “Não tenho a menor dúvida que discutir mais uma vez este tema em um evento tão especial vai trazer grandes contribuições para o ambiente do agronegócio. O Paraná está trabalhando muito sério para integrar todas as forças que temos na academia, nas organizações civis e na iniciativa privada e transformar Londrina em uma referência da aplicação da Inteligência Artificial no Paraná e no Brasil”, afirmou. “Quem for ao evento vai conhecer todas as ações que estamos implementando neste sentido”.
Para quem ainda não ligou o termo à realidade que já pode ser conferida nas propriedades mais modernas, a IA já faz a diferença na previsão de safras, no aumento da eficiência na detecção de doenças e pragas da lavoura, no aproveitamento máximo da água nos sistemas de irrigação, na avaliação de sementes e cultivares, na análise do solo, no monitoramento da saúde e na rastreabilidade dos rebanhos, entre tantas outras práticas inovadoras que devem movimentar cerca de R$4,7 bilhões por ano no agronegócio até 2028, segundo levantamento da Statista, plataforma global de dados e inteligência de negócios.
O aprendizado das máquinas
Outro painelista confirmado é o professor e pesquisador do Departamento de Computação da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Daniel dos Santos Kaster. “Vou falar um pouco sobre as etapas do processo de aprendizado das máquinas, que muitas vezes é visto de uma forma muito limitada”, lembra o pesquisador, um prata-da-casa do curso de Ciência da Computação da UEL, que fez mestrado na Unicamp, doutorado na USP e que já chegou a participar de um grupo de pesquisa na Universidade de Waterloo, no Canadá. “Vou contar ao público que na medida em que vamos desenvolvendo sistemas mais complexos, a importância de cada etapa do aprendizado da máquina fica muito evidente. São muitas etapas e muitas fases e eu vou explicar como elas começam e quando elas terminam e como elas vão agregando capacidades às tecnologias do agro”.
O mediador do debate será o economista José Luis Dalto, doutor em Gestão de Projetos e professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). “Minha expectativa é que o evento ajude a comunidade empresarial não só a conhecer as aplicações da IA no campo mas também os impactos que estas novas tecnologias terão em aspectos estratégicos como produtividade, sustentabilidade e na competitividade global do agro brasileiro. Acho importante abordamos casos reais de grandes players do mercado como também falar de projetos e soluções que estão se destacando no universo das startups”, adianta Dalto, um estudioso também de sustentabilidade e economia circular. “Não vamos esquecer de conversar sobre os desafios: o modelo regulatório, a formação de mão de obra especializada, o papel das universidades e das empresas nesta formação. Queremos conectar produtores e investidores nestas discussões”, avisa.
Visão prática e estratégica
O coordenador de Inovação e Inteligência da Coamo Agroindustrial Cooperativa, Daniel Bonete Ricardo, um profissional de TI com ampla experiência em desenvolvimento de software, em liderança de equipes e em gestão de projetos de inovação, também enriquece o painel a partir de um ponto de vista privilegiado neste mercado em transformação, de onde acompanha todos os movimentos de uma grande organização privada, com mais de 30 mil cooperados e mais de 10 mil funcionários.
“Espero que o debate traga uma visão prática e estratégica sobre a aplicação dessas tecnologias no campo e na agroindústria, tanto os avanços que estão ocorrendo quanto os desafios que estão surgindo”, ressalta Bonete. Ele disse à Folha que pretende falar sobre assuntos inerentes à sua experiência na Coamo, que ele considera uma apoiadora da transformação digital no campo. “Há muitos subtemas que podemos explorar: o monitoramento de lavouras via satélite, a automação de máquinas agrícolas, os ganhos em sustentabilidade, a integração com outras tecnologias como o IoT, drones, sensores e big data, além da discussão sobre os aspectos éticos e regulatórios, como a privacidade de dados, a transparência nos algoritmos e os impactos sociais da automação”, enumera.


