Segundo professor da UFRGS, uma das vantagens de se investir em imóveis é que eles servem de garantia para empréstimos
Segundo professor da UFRGS, uma das vantagens de se investir em imóveis é que eles servem de garantia para empréstimos | Foto: Marcos Zanutto/23-04-2015



Acostumados a planos econômicos mirabolantes, que incluíram um confisco à caderneta de poupança em 1990, os brasileiros com mais de 40 anos acreditam que os imóveis, por serem mais seguros, são as melhores opções de investimento. Muitos jovens, influenciados pelas gerações anteriores, têm a mesma opinião. Mas, será que apostar no mercado imobiliário faz sentido atualmente? Sim e não, vão dizer os analistas.
"Até eu tenho medo de um novo ministro como a Zélia Cardoso de Mello", afirma o professor da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Guilherme Ribeiro de Macêdo, se referindo à ministra responsável pelo confisco no governo Fernando Collor. Ele considera que as chances de o Brasil "voltar ao passado" são remotas. Mas entende a insegurança de muita gente em relação ao mercado financeiro. "Quem viveu aquela época tem motivos para ter medo."
Macêdo lembra que, em toda a história do País, nunca houve confisco de ativos imobiliários, o que justifica a preferência dos mais velhos por eles. Ele também ressalta que os imóveis protegem os poupadores da inflação. "Esse é outro lado bom." E aponta ainda uma outra vantagem deste tipo de investimento: os imóveis servem de garantia para empréstimos.
No entanto, há também os pontos negativos. "Não existe liquidez em imóvel. O investidor não consegue vendê-lo rapidamente. A não ser que coloque um desconto muito grande no preço." Outra desvantagem é a vacância. "Em épocas de recessão como agora, é comum os imóveis ficarem sem locatários. Só nos comerciais, a taxa de vacância hoje é de 30%", conta. Sem inquilinos, os proprietários não apenas perdem renda, como têm de arcar com despesas de IPTU e condomínio.
Segundo o imobiliarista londrinense Nestor Correia, não há momento melhor para se investir em imóveis do que o atual. "Os preços estão depreciados, mas logo voltarão a subir", justifica. De acordo com ele, as perspectivas para 2017 são de melhora do mercado imobiliário. "Será uma melhora lenta e gradual. E, em 2018, a situação estará normalizada", aposta ele, a despeito de imobiliaristas e locatários admitirem ser muito difícil conseguir incluir na íntegra aos inquilinos o reajuste do IGP-M do ano passado, de 7,17%, conforme a FOLHA mostrou em reportagem publicada última na quarta-feira (4).

FUNDOS
A planejadora financeira da Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros Juliana Sitta não gosta de imóveis como investimento. "Há muitas opções no mercado financeiro que trazem rentabilidade melhor", justifica. Ela só aconselha a compra quando o preço de um imóvel estiver muito abaixo do valor normal. "Só se for uma questão de oportunidade." Para Juliana, atualmente não compensa sequer comprar a casa própria. "Hoje, vale mais a pena pagar aluguel. Você deixa seu recurso aplicado, que ele vai dar um retorno maior que o aluguel", afirma.
Boa opção, segundo ela, é adquirir cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). Por meio deles, pequenos e médios investidores podem se tornar donos de uma parte de grandes empreendimentos como shoppings, prédios, apartamentos, hotéis, hospitais, galpões industriais, centros logísticos, entre outros. E recebem suas respectivas partes dos aluguéis destes imóveis. Negociadas na BM&FBovespa, as cotas precisam ser compradas por meio de corretoras.
Como vantagem, Juliana aponta o fato de a pessoa física não pagar imposto de renda sobre os FIIs. "Não tem burocracia. Não precisa ficar se preocupando com contratos de aluguéis. Não há dor de cabeça." A planejadora diz ainda que, ao contrário dos imóveis, os fundos têm liquidez. "As cotas podem ser vendidas rapidamente no mercado secundário em valor de mercado", conta.

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