Com IA, enfrentamento à Covid seria mais eficiente
Inteligência Artificial na área da saúde foi tema da 24ª edição do Encontros Folha, dia 15 de julho, em Londrina
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sexta-feira, 18 de julho de 2025
Inteligência Artificial na área da saúde foi tema da 24ª edição do Encontros Folha, dia 15 de julho, em Londrina
Simoni Saris e Lúcio Flavio Moura 

Se uma nova pandemia de Covid se instalasse hoje no Brasil, as ações de enfrentamento à doença poderiam ser operacionalizadas pelos órgãos e profissionais de saúde de forma muito mais eficiente, com a otimização de recursos e o tratamento individualizado conforme as características de cada paciente. Avanço possível em razão da evolução das ferramentas de IA (Inteligência Artificial).
Recentemente, pesquisadores do CCS (Centro de Ciências da Saúde) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) publicaram um artigo no qual propuseram algoritmos que pudessem indicar, no âmbito da medicina de precisão, como seria a evolução da doença em diferentes indivíduos.
A publicação internacional usa redes neurais, um método de IA que capacita computadores a processar dados de forma similar ao cérebro humano. Trata-se de um tipo de aprendizado de máquina, o machine learning, em inglês, chamado de aprendizado profundo (deep learning), que emprega uma estrutura em camadas formada por nós, os neurônios, interconectados.
Nesse sistema adaptativo, os computadores aprendem com os erros e melhoram continuamente, sendo usados para resolver problemas complexos.
No Hospital Universitário
No estudo realizado pelo CCS da UEL, os dados foram coletados no HU (Hospital Universitário), entre os pacientes infectados pelo coronavírus durante a pandemia de Covid-19. Com as amostras em mãos, os pesquisadores partiram para os testes de IA, realizados em parceria com um pesquisador da Austrália.
Uma característica importante é que todos os dados dos pacientes cujo histórico foi avaliado pelos pesquisadores da UEL referem-se ao período anterior à vacina, ou seja, o estudo analisou a evolução clínica de pessoas infectadas sem nenhuma imunidade contra o coronavírus. “Em uma nova pandemia de coronavírus, com um vírus mutado, a gente teria como aplicar esses dados porque coletamos em um momento em que não tinha vacina. (A evolução da doença seria) Como realmente o organismo da pessoa responderia caso fosse uma pandemia nova”, destacou a farmacêutica, bioquímica e professora universitária Andrea Name Colado Simão, diretora do CCS da UEL.
A docente esteve entre os painelistas convidados para a 24ª edição do Encontros Folha, realizado na última terça-feira (15). O evento teve como tema a “Inteligência Artificial e Saúde - Como a tecnologia está melhorando a qualidade de vida”, iniciativa do Grupo Folha de Londrina, da Abratic, da UTFPR e da V3 Research & Business Group, com correalização do Sebrae. Brasser, Compagas, Laboratório Oswaldo Cruz e Unimed Londrina patrocinaram o evento, que teve apoio financeiro da Fundação Araucária e apoio institucional da Salus, a união setorial da saúde.
Além de Andrea Simão, o evento contou com palestras do gerente de Planejamento e Desenvolvimento da Unimed Londrina, André Simas, e de Celso Kloss, diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Instituto de Tecnologia do Paraná, o Tecpar. O trio encerrou a programação em um debate mediado por Cristiano Teodoro, professor do curso de medicina do campus Londrina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica).

“As boas expectativas se confirmaram”, celebrou o superintendente do Grupo Folha de Londrina, Nicolás Mejía, ao avaliar a noite de debates. “Que esta evolução que observamos ao sermos abastecidos por este conteúdo tão completo torne os sistemas público e privado mais acessíveis e humanizados, com melhores resultados e custos menores”, ponderou.
Alerta para discussões ‘improdutivas’
Professor do curso de medicina do campus Londrina da PUC-PR, especialista em transformação digital, tecnologia e inovação e vice-presidente do Grupo Salus, Cristiano Teodoro acredita que em uma nova pandemia a compreensão de como proceder na área da saúde está, indiscutivelmente, mais clara. “As ferramentas tecnológicas para uso nas medidas de contenção avançaram rapidamente e a IA tem contribuído para tudo isso”, declarou o professor, que mediou o debate entre os painelistas que encerrou o EncontrosFolha.
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Teodoro chamou a atenção, no entanto, para o avanço não tão rápido na forma como a população lida com esses desafios. “A gente tem, infelizmente, na sociedade, ainda uma discussão que é pouco produtiva sobre vacinas, por exemplo. Há quem ainda insista em não entender que isso é algo para o bem.”

O professor ressaltou que a OMS (Organização Mundial da Saúde) tem acelerado os estudos na Europa e a IA contribui para o desenvolvimento. “Agora, o caminho futuro é a utilização da ferramenta de IA e de uma forma muito rápida, mais do que foi há dois anos, e vai ser acelerada a cada novo ciclo e ampliar o alcance”, afirmou Teodoro. “Vamos passar a incorporar (a IA) em mais situações, para mais desfechos, e isso vai ser em uma velocidade muito mais rápida. A gente tem que ampliar a educação. A gente precisa conhecer, entender e se capacitar.
Cooperação
A importância da inteligência artificial na aceleração do desenvolvimento de novas vacinas foi um dos pontos abordados por Celso Kloss no Encontros Folha. “Um aspecto importante neste aspecto é a mudança da mentalidade dos governos, que estão entendendo que é melhor substituir a competição pela cooperação”, afirmou o diretor do Tecpar.
Ele citou, como exemplo, a parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac e as negociações com empresas indianas que produzem IFA (insumos farmacêuticos ativos) para baratear a produção, que podem se relacionar com outra frente de inovação aberta pela Fundação Araucária nos últimos anos, a cooperação com o C-DAC (Centro de Desenvolvimento de Computação Avançada) da Índia, já formalizada em memorando e cujo objetivo inicial é a instalação de um supercomputador no antigo Iapar (atual IDR-Paraná) e um centro de capacitação técnica e transferência de tecnologia em Londrina.

Este mês uma missão chinesa visitou Curitiba para confirmar o interesse da empresa em desenvolver projetos conjuntos. O Tecpar submeteu quatro projetos de produção de vacina para fornecimento ao Ministério da Saúde, dentro do programa PDP (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo), política pública que fomenta a transferência de tecnologia de laboratórios privados para a produção de medicamentos por laboratórios públicos brasileiros. O “casamento” entre o Tecpar e a Sinovac poderá produzir vacinas contra a raiva humana, a varicela, a poliomielite e um imunizante para 23 tipos de pneumococos, a Pneumo 23. A parceria está em análise pelo Ministério da Saúde.
Unimed, cliente do hub do Senai
Entre os destaques do conteúdo apresentado no Aurora Shopping está o caso de pioneirismo da Unimed Londrina em buscar uma aproximação com o hub (estrutura pivô de alguma operação compartilhada) de IA do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) em Londrina, logo após sua instalação, seis anos atrás.
A ideia de que a estrutura destinada à qualificação das empresas em ativos tecnológicos cada vez mais valorizados - a ciência de dados, o machine learning, a visão computacional e o deep learning - seria um trunfo para a competitividade da economia regional de fato concretizou na operação da Unimed. “Compramos cotas de participação neste empreendimento porque enxergamos nele a oportunidade de aprofundar nossa política de inovação. Estávamos buscando soluções para nossas necessidades e profissionais especializados para compor nossa equipe. O primeiro projeto que trabalhamos lá foi a leitura e a análise de laudos. Porque tem uma imensidão de dados para analisar. Só em 2024 foram 4 milhões de pedidos de autorização dos nossos clientes. Tudo isso precisa ser organizado, tratado e avaliado para tomar decisões”, explicou André Simas, gerente de Planejamento e Desenvolvimento e um dos palestrantes do evento.

A parceria com o Senai também ajudou a empresa a desenvolver uma solução em IA que identificasse padrões de fraudes contra o sistema, além de detalhar o perfil epidemiológico das doenças mais comuns entre os beneficiários do plano.
No ‘campo dos sonhos’, um centro de IA em saúde também em Londrina
Ex-presidente até semanas atrás e atual diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Instituto de Tecnologia do Paraná, o Tecpar, Celso Kloss disse que a estatal está sendo “provocada” constantemente pelo secretário de Estado de Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, para instalar em Londrina um centro de desenvolvimento em Inteligência Artificial na área da saúde. “Ainda está no campo dos sonhos mas o Paraná tem um modelo, que é o da cooperação envolvendo os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação, organizados pela Fundação Araucária. Estes arranjos permitem a descentralização de estruturas pelo Estado”, explicou. Ele lembrou que a rede de computação de alta performance que será formada nas sete universidades estaduais pode ajudar a viabilizar projetos com foco no desenvolvimento em IA em polos como Londrina.
Em contraponto a ideia ainda embrionária em Londrina, o Tecpar se prepara para entregar no ano que vem uma grande obra em Maringá, o Parque Tecnológico Industrial da Saúde, um investimento de R$24 milhões do governo do Estado. A estrutura está sendo construída em um terreno de 100 mil metros quadrados doado pelo governo municipal. A previsão é que a área seja ocupada por empresas que têm como vocação a produção de insumos estratégicos para o Ministério da Saúde, além de outros produtos da cadeia de biotecnologia. Os recursos para a construção do parque de Maringá são do Fundo Paraná, gerido pela Seti (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior).
A cada 73 dias, o conhecimento dobra
Kloss apresentou o portfólio de atividades do Tecpar e como a empresa pública está inserida nos esforços de transformar o Paraná em um estado relevante no País nas tecnologias que dependem do conhecimento avançado em Inteligência Artificial, em particular no segmento da saúde. Ele lembrou que o aprendizado de máquinas e a ciências de dados ficou adormecida por cinco décadas e que nesta década houve um “boom” de interesse e investimentos. “Explodiu na nossa cara e nós temos que saber como dominar essa fera em nosso favor”, disse o executivo, antes de comparar como a tecnologia tem impactado o volume de conhecimento produzido.

“No início do século XX, o conhecimento dobrava a cada 100 anos. Logo depois, com a Segunda Guerra Mundial, passou a dobrar a cada 25 anos. Mais recentemente, estimou-se que ele dobrava a cada 2 anos. Na área da saúde, porém, este volume de conhecimento dobra a cada 73 dias. Esta velocidade toda impõe um grande desafio a todas as pessoas e ainda mais às empresas como o Tecpar, que precisam continuar aptas e competentes para oferecer seus produtos e serviços”.
Fissura labial
Um exemplo de estudo com tecnologia avançada que o Tecpar realiza e que poderá beneficiar em breve os pacientes do SUS é uma pesquisa para a utilização de células-tronco para tratamento de crianças com fissura labial. “A linha de pesquisa passou por uma adaptação por exigência da Anvisa mas já temos resultados concretos em crianças que após um ano de tratamento com células tronco associado a um biomaterial são submetidas a cirurgias muito menos agressivas, melhorando a qualidade de vida da criança e da família, com um custo muito inferior ao tratamento tradicional”.
Financiamento e credenciamento
Os empresários que estavam na plateia foram instigados a participar de um edital do governo paranaense para financiar projetos empresariais com foco em IA. O HUBX IA - iniciativa que envolve a Fundação Araucária, o Tecpar e a Fiep - vai oferecer cinco rodadas, cada uma com uma carteira de R$3 milhões. “À medida que os financiamentos forem aprovados, esta linha terá novos ciclos abertos”, lembrou. No âmbito deste projeto, também existe um outro chamamento para credenciar pessoas jurídicas interessadas na constituição de parceria estratégica, com transferência de tecnologia para a realização de novos negócios e fornecimento de serviços na área de tecnologia digital e de tecnologia da informação.
Regulação do uso da IA deve aumentar proteção de dados
O Projeto de Lei 2.338/2023 que tramita no Congresso Nacional estabelece o Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Brasil. O objetivo da proposta é garantir segurança jurídica e ética no desenvolvimento e uso da tecnologia, protegendo os direitos fundamentais, com especial atenção aos direitos autorais. O projeto visa detalhar os riscos e direitos envolvidos com a IA no país.
A matéria foi aprovada pelo plenário do Senado no final de 2024 e agora tramita na Câmara Federal. Entre os principais pontos, estão a definição do sistema de IA, o SIA (Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial), direitos, categorização de riscos e sanções previstas.
O mediador do debate realizado ente os painelistas do Encontros Folha, Cristiano Teodoro, destacou que nas pesquisas e nos serviços na área da saúde, a regulação deverá resguardar a proteção dos dados pessoais e dar maior segurança ao uso da informação para inclusão ou exclusão de pacientes em determinados protocolos e tratamentos.
Supervisão humana
“O Marco da IA traz a necessidade de você, ao trabalhar conteúdos sensíveis, sempre ter uma supervisão humana. Esse é um ponto que eu concordo muito”, disse o administrador e gerente de Planejamento e Desenvolvimento da Unimed Londrina, André Simas.

Diretora do CCS da UEL, Andrea Name Colado Simão defendeu a necessidade de, ao trabalhar com informações sensíveis em IA, esclarecer a finalidade do uso dos dados e definir os limites aceitos no uso da IA. “Até aonde podemos ir com a IA sem barrar os processos de educação, aprendizado e discussão de dados?”
Teodoro destacou que a PUC-PR foi a primeira universidade do Brasil a criar um código interno para uso da IA pela sua comunidade acadêmica, tanto pelos professores quanto pelos alunos. O documento está em vigor desde 2024. “Foi um trabalho de quase um ano, multissetorial dentro da universidade, e acabou em um documento norteador para que a gente possa usar isso da melhor maneira possível, sem cercear o desenvolvimento e a compreensão da ferramenta.”
SUS
O engenheiro químico e diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Tecpar, o Instituto de Tecnologia do Paraná, Celso Kloss, ressaltou que a coexistência da empresa pública com o SUS leva para uma outra percepção acerca do tema. “Devemos investir todo esse conhecimento para que ele possa, cada vez mais, trazer as soluções em saúde para o máximo da população possível.”
“É claro que toda nova tecnologia sempre traz o medo do mau uso e com a IA não é diferente. Mas o que nos torna humanos é a capacidade de empatia e de conseguir enxergar na dor do outro uma possibilidade de avançar na ciência”, acrescentou Name.
Medicina de precisão, a personalização do tratamento
Durante a pandemia de Covid-19 e especificamente sobre o coronavírus, o grupo de pesquisa do qual a professora Andrea Name Colado Simão, diretora do CCS da UEL (Universidade Estadual de Londrina), faz parte, publicou cerca de 15 artigos referentes a estudos nos quais, além da medicina de precisão e da Inteligência Artificial foram feitos testes com novos produtos que poderiam ser coadjuvantes no tratamento da doença.

“Se a gente lembrar da época da Covid-19, quando pacientes não tinham nenhum fator de risco e o desfecho foi a morte, nós conseguimos empregar algumas fórmulas e alguns algoritmos para predizer, por exemplo, se o paciente vai ser mais grave, se vai precisar de UTI ou se vai morrer. Isso já é uma realidade na medicina”, disse a professora, em sua apresentação no 24º Encontros Folha.
Desde 2006, Name desenvolve um trabalho de pesquisa que consiste na busca de biomarcadores que permitam elaborar prognósticos de evolução para diversas patologias e seus desfechos clínicos.
“Hoje, nós falamos muito de IA, mas precisamos falar de um conceito dentro da medicina, que é um conceito que vem mudar a assistência à saúde, a medicina de precisão. Ela vem da dor de não conseguir atender os pacientes de forma eficaz”, ressaltou Name.
Medicina do futuro
A medicina do futuro, que já acontece no presente, consiste na personalização do tratamento e é apontada como uma grande revolução na assistência à saúde.
A medicina de precisão surge da integração de uma série de dados, como exames laboratoriais, perfis genéticos e alterações ambientais a que estão sujeitos todos os indivíduos ao longo da vida. “As evidências científicas já têm mostrado que pacientes atendidos de forma personalizada e considerando suas especificidades, alcançam o sucesso terapêutico de forma mais rápida e eficiente”, afirmou Name.
Além da Covid-19, o grupo de pesquisa do CCS da UEL tem obtido bons resultados nos estudos de outras doenças com o auxílio da IA. Name tem na neurologia e na reumatologia suas principais áreas de pesquisa e assim seu grupo reúne dados importantes referentes à esclerose múltipla, ao AVC (Acidente Vascular Cerebral) e à artrite reumatoide.
IA está transformando a operação da Unimed Londrina
Sete anos atrás, a Unimed Londrina, fundada em 1971, criou seu programa interno de inovação, desafiando seus colaboradores a propor novas ideias. No período, foram 700 sugestões, com um retorno financeiro estimado em mais de R$ 2 milhões de 70 ideias efetivamente implantadas.
Palestrante do 24º Encontros Folha, o gerente de Planejamento e Desenvolvimento da cooperativa, André Simas, afirma que o processo não deixou de ser uma preparação das pessoas para a transformação que a Inteligência Artificial vai impor ao negócio, aos clientes e ao mercado nos próximos anos. “O processo de inovação é árduo, duro. As ideias normalmente vêm cruas, incompletas, sem dados. Tivemos que aprender muito para que as coisas acontecessem de fato”, conta Simas.

Ele citou exemplos de como esta transformação torna mais ágil a relação da empresa com médicos, clientes e fornecedores. Em 2024, 89% das 700 mil contas da Unimed Londrina foram auditadas instantaneamente pela inteligência artificial, com análise de laudo, prontuário e registros clínicos. Apenas 11% deste montante, teve que ser escrutinado por ação humana. Das 200 mil guias de consultas emitidas anualmente, 77% são checadas com IA e 23% foram liberadas instantaneamente.
Os novos recursos tecnológicos também se tornaram fundamentais para a análise de dados epidemiológicos e para a medicina preventiva, permitindo identificar riscos de doenças como diabetes e câncer de mama e a personalização do cuidado.
“Somos capazes de entender quais beneficiários estão na faixa de alta probabilidade de apresentarem diabetes, quais deles precisam de uma investigação adicional e um monitoramento. Isso norteia nossas ações pró-ativas, com os colaboradores procurando os clientes para saber se ele precisa de atendimento ou para ele passar a ser monitorado. Esta tecnologia cobre 100% da nossa carteira”, explica o gerente, que tem a responsabilidade de planejar o funcionamento de uma gigante com 1.100 empregados, 1.100 cooperados, 210 mil clientes, que usufruem de serviços médicos em 50 especialidades diferentes e com faturamento anual superior a R$1bilhão.
Em uma das últimas telas da apresentação, o líder de equipe destacou os cinco principais pontos da transformação: o mapeamento epidemiológico detalhado por perfis de risco; equipamentos de imagem com análise automatizada e alertas; integração em tempo real com o prontuário eletrônico; monitoramento inteligente com biometria facial e a jornada do paciente rastreada de ponta a ponta. Em resumo, a mensagem do palestrante foi que o principal serviço de medicina privada da região utiliza a tecnologia como ferramenta de apoio para sua finalidade principal - cuidar de pessoas - sem perder o insubstituível olhar humano.
NOVAS TECNOLOGIAS NO SUS
Com o avanço constante da medicina propiciado pelo uso das novas tecnologias e o surgimento de novas terapias e medicamentos, o desafio que surge é a incorporação dessas inovações pelo SUS. Garantir a integralidade envolve uma análise rigorosa de eficácia, segurança e, principalmente, custo-efetividade. A decisão de ofertar um novo tratamento de alto custo impacta diretamente o orçamento da saúde, gerando a necessidade de equilibrar a inovação com a capacidade financeira do sistema e a necessidade de atender a uma vasta gama de outras demandas.
Como baratear as novas tecnologias e torná-las acessíveis aos pacientes do SUS foi uma das questões discutidas entre os painelistas do Encontros Folha.
Diretora do CCS da UEL, Andrea Name Colado Simão destacou que a sua atuação como docente de uma universidade pública e pesquisadora em uma instituição totalmente custeada com recursos do SUS, lhe confere outra perspectiva acerca do seu trabalho. “O que a gente faz nunca é voltado pensando no produto final e no quanto eu vou enriquecer em cima disso.”

“Estamos buscando algoritmos, que são fórmulas. Eu busco uma forma de colocar uma nova métrica para predizer uma doença. Então, eu penso em aplicativos, em fórmulas gratuitas, algoritmos gratuitos”, afirmou Name.
Também defensor da saúde “ampla, total e irrestrita para todos”, o diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Tecpar, Celso Kloss, destacou que é possível aliar a oferta de terapias, medicamentos e procedimentos de última geração sem abrir mão dos ganhos financeiros. “Não é uma coisa tão longe o empreendedor sonhar que pode disponibilizar dentro desse conceito (de saúde integral e com ampla oferta) e chegar mais perto da justiça social. Eu mostrei que se um pesquisador tem uma ideia, ele vai, por meio do Tecpar, fazer esse conhecimento chegar ao SUS. O Tecpar não é lucro, nós temos o compromisso de ser, pelo menos, sustentáveis na atividade que nós fazemos.”
Mediador do debate, o professor de medicina da PUC-PR em Londrina e vice-presidente do Grupo Salus, Cristiano Teodoro, lembrou que não é possível fazer pesquisa ou tornar as novas tecnologias acessível a toda a população se não houver quem pague a conta. “Por mais que eu tenha um financiamento e bolsa, eu tive projetos aprovados e só fiz porque tinha o recurso para atender o grande público. No Brasil, 80% dos atendimentos são feitos pela saúde pública.”
Para quem atua na saúde suplementar, um dos grandes desafios é incorporar ao rol de procedimentos as novas drogas e as novas tecnologias que surgem a todo momento, regulamentadas pela ANS (Agência Nacional de Saúde).
“O SUS não tem no seu modelo atual o problema em relação a custeio”, ressaltou o administrador e gerente de Planejamento e Desenvolvimento da Unimed Londrina, André Simas.
Apesar de morosas, as análises dos processos pelo SUS, disse Simas, o sistema público paga as drogas e os tratamentos mais caros quando a assistência é comprovadamente necessária.
Qual a importância de se discutir o uso da inteligência artificial na saúde?
Fernando Moraes, presidente do Conselho da Faciap

É um tema que tem que ser debatido. A inteligência artificial está em alta. E um tema que se relaciona à saúde sem dúvida nenhuma é de extrema importância. Hoje você precisa estar muito bem ambientado com tudo que você vive no mundo, então a saúde é em primeiro lugar e a inteligência artificial pode ajudar muito nisso. A saúde vem avançando em tecnologia, agora somando com a inteligência artificial vai ficar um ponto positivo para todos nós.
Albino Zanatta, proprietário do Laboratório Oswaldo Cruz

A inteligência artificial é o que se fala hoje em todas as áreas e setores. Na saúde, ela vem avançando já há algum tempo. Acho que foi um dos setores que iniciou uma série de procedimentos. Na área dos laboratórios de análises clínicas principalmente. A gente convive com isso há algum tempo. Agora há uma evolução total. Então a gente tem que estar presente neste tipo de evento, porque sempre tem novidades e as novidades estão vindo rápido demais.
João Campos, professor aposentado da UEL (Universidade Estadual de Londrina)

Essa é uma inovação cuja principal caraterística é sua dimensão de ser uma iniciativa disruptiva. Essa é uma palavra que estamos começando a usar para caracterizar a inteligência artificial porque ela vai muito além da inovação. Por muitos anos, procuramos estimular a telemedicina como iniciativa de inovação em saúde e foram e são extremamente importantes. Tenho a impressão de que a inteligência artificial abre uma perspectiva diferente, para além da inovação.
João Cláudio Santilli, presidente da Salus

Como em todas as áreas, ela é uma ferramenta indispensável para melhorar a efetividades dos serviços. Por intermédio da inteligência artificial a gente consegue otimizar a gestão, no nosso caso da área da saúde. Consegue otimizar métodos, diagnósticos, acessibilidade da população. Com isso, todo mundo consegue um melhor serviço e uma melhor eficiência e acessar esses serviços com mais rapidez. Isso é importante porque amplia o leque de atuação.
Dayane Santana Negrisoli, gerente de Marketing e Comunicação da Unimed

É muito importante discutir esse tema. Para nós que trabalhamos com pessoas, com o cuidado, é essencial que as tecnologias e as inovações andem de encontro com aquilo que temos de propósito como cuidar, levar uma vida mais saudável às pessoas. Acredito que a escolha foi primordial. Quero parabenizar a Folha de Londrina, por mais uma vez tratar de temas relevantes e, que essas discussões tragam cada vez mais benefícios para nós, para a população em geral e a saúde.
Carrie Galvan, vice-diretora do CCS (Centro de Ciência da Saúde da UEL)

A Folha de Londrina está de parabéns pela iniciativa. A IA na saúde aponta diretamente para o futuro. Estamos trabalhando com a inteligência artificial há algum tempo, mas ainda de um modo muito primário. Na saúde, a IA vai auxiliar diretamente nos serviços prestados à comunidade, desde o diagnóstico, recuperação, reabilitação, todos os campos dentro da atenção primária, secundária e terciária. A IA vai aprimorar as práticas que já existem e vai avançar muito.
(Com Aline Machado Parodi)


