Com fim do desconfinamento, indústria europeia freia queda recorde


ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - A indústria europeia ainda não chegou ao fundo do poço, mas a velocidade de queda se reduziu, mostra o índice PMI da IHS Markit, que se baseia em entrevistas com gerentes de compras da manufatura na zona do euro.

O indicador, uma média ponderada de dados sobre novos pedidos, produção, emprego, prazos de entrega dos fornecedores e estoques de compras, foi de 39,4 em maio, mês em que vários países começaram a relaxar os confinamentos de combate à pandemia do novo coronavírus.



A produção e os pedidos continuaram caindo, mas em níveis menos intensos que no mês anterior (PMI de 33,4), o que dá alguma esperança de que o setor industrial da Europa ao menos se estabilize no terceiro trimestre deste ano, segundo o economista-chefe de negócios da IHS Markit, Chris Williamson.

"A melhoria, em parte, reflete a comparação com uma queda chocante em abril, mas é encorajador que empresas tenham reiniciado os trabalhos com o desconfinamento", afirmou o economista-chefe.

A Itália, um dos primeiros países a permitir a retomada das indústrias, em 4 de maio, registrou a despiora mais significativa, com um índice de 45,4, o mais alto em três meses. Em abril o indicador havia caído para 31.

Grécia, França e Áustria também apresentaram alta em relação a abril, com 41, 40,6 e 40,4, respectivamente.

Embora também estejam acima do mês anterior, as indústrias da Espanha e da Alemanha mostraram impactos mais fortes da pandemia, com 38,3 e 36,6, respectivamente.

Na semana passada, uma pesquisa divulgada pelo instituto alemão Ifo mostrou que as empresas do país estão mais pessimistas em relação ao impacto da pandemia, mas mais confiantes em suas perspectivas.

O índice de clima de negócios do Ifo, que ouve mensalmente 9.000 empresas, subiu para 79,5 em maio, acima do recorde de 74,3 em abril.

"O alívio gradual do lockdown oferece um vislumbre de esperança", disse Clemens Fuest, presidente do instituto.

No PMI da zona do euro, as vendas de exportação tiveram queda menos intensa em maio, mas o indicador foi o segundo mais baixo em 23 anos de coleta de dados, acima apenas dos resultados de abril.

Diante da crise, os fabricantes, principalmente na França, Espanha e Alemanha, cortaram mais empregos em maio, apesar dos programas de proteção ao emprego que já beneficiaram mais de 30 milhões de trabalhadores no continente. Segundo a consultora, o setor tem contraído o tamanho de suas equipes por 13 meses consecutivos.

Com a perspectiva de que a demanda continue moderada, por causa de regras de distanciamento, alta no desemprego e queda nos lucros, há dúvidas sobre a intensidade da recuperação.

"O preços estão caindo a um ritmo recorde, com descontos para zerar os estoques, o que pressiona os ganhos das empresas", diz Williamson.



A confiança sobre o próximo ano atingiu a melhor marca em três meses, segundo a consultoria, mas ainda ficou em território negativo.

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