O comércio paranaense teve redução de 3,18% no nível de emprego em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado. De janeiro a agosto, a queda foi de 1,6%. O valor da folha de pagamento também teve queda e reduziu 4,59% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, em decorrência de comissões de vendas menores e também porque algumas empresas optaram por reduzir salários para evitar mais demissões.
O desemprego no setor é reflexo do faturamento em queda. As vendas do varejo paranaense continuam em declínio. Em agosto houve redução de -13,5% no faturamento contra o mesmo mês de 2014. Na comparação com julho, as vendas foram -0,78% menores e no acumulado do ano a retração é de -5,93%. As informações fazem parte Pesquisa Conjuntural da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR).
Segundo o diretor de planejamento e gestão da Fecomércio, Rodrigo Rosalem, o resultado da queda nos empregos é reflexo da instabilidade econômica, da redução de empregos, da renda e da elevação de tarifas básicas como energia elétrica. "O impacto no emprego não é surpreendente", disse. E, ele acredita que as demissões no setor sejam uma tendência nos próximos meses.
Rosalem disse que os empresários estão preferindo manter parte dos funcionários atuais para evitar as contratações temporárias de final de ano, o que representaria um custo adicional. Um outro levantamento divulgado pela Fecomércio, na semana passada, já tinha apontado que 14,5% dos empresários pretendem contratar neste final de ano, contra 29,4% no mesmo período do ano passado.
Em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, os setores que mais demitiram foram combustíveis (-14,71%), lojas de departamentos (-11%) e concessionárias de veículos (-12,20%). Rosalem acredita que, possivelmente, o comércio fechará o ano com queda em vendas e em empregos.
Para ele, o resultado de vendas de agosto é reflexo do cenário macroeconômico. "O consumidor só está comprando o que não pode deixar de ter. Os setores de farmácia e supermercados não estão sofrendo tanto porque são itens de primeira necessidade", disse. Rosalem afirmou que o orçamento da família não está sobrando para investir em compras que não sejam essenciais.
Para o professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, a redução de empregos no comércio era uma coisa esperada e natural. Segundo ele, com a redução da atividade econômica, é normal que as empresas demitam e que a taxa de desemprego aumente em todos os setores. "Só o agroexportador fica imune, mas é um segmento que emprega menos", disse.
Curado disse que o desemprego no comércio é muito preocupante, porque significa que a crise está afetando a vida, o cotidiano das pessoas. "A crise chega por redução da atividade e desemprego", afirmou. Ele acredita que a tendência é que todos os setores continuem demitindo, inclusive o comércio.
Todos os setores avaliados pela pesquisa da Fecomércio-PR tiveram um agosto negativo nas vendas na comparação com agosto de 2014. As reduções mais expressivas foram observadas pelos ramos de autopeças (-25,56%), concessionárias de veículos (-24,43%), lojas de departamentos (-23,23%) e postos de combustíveis (-19,19%).
No acumulado do ano, entre janeiro e agosto, os setores de supermercados e farmácias são os únicos com dados positivos, com 7,04% e 1,75% de aumento no faturamento. Os piores resultados no período ficaram com as concessionárias de veículos (-23,96%), autopeças (-15,43%) e calçados (-9%).

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