Curitiba Enquanto as exportações de carne bovina no Brasil registraram, em junho, novo recorde, com remessas que somaram US$ 295,8 milhões 33% maior que o volume de junho de 2004 , os criadores de gado de corte amargam perda de renda.
Segundo dados da pesquisa ''Indicadores Pecuários'', da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), divulgados ontem, entre janeiro e maio, os preços pagos ao pecuarista pelo boi gordo caíram 11,3%. Já os Custos Operacionais Totais (COT) tiveram alta de 4,29% no mesmo período.
No Paraná, a situação é semelhante, mas com impacto um pouco menor. O preço do boi gordo teve recuo de 10,94%, no acumulado de janeiro a maio, enquanto os custos operacionais subiram 2,30%. O reflexo da redução do preço pago ao produtor, no entanto, não chegou na mesma proporção à mesa do consumidor. Segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a carne bovina registrou queda de apenas 2,26% nos cinco primeiros meses do ano. No acumulado dos últimos 12 meses, houve alta de 1,44%. Os números refletem o mercado consumidor de Curitiba, onde a pesquisa é realizada.
Os dados de custos de produção e de preços pagos ao pecuarista, divulgados pela CNA, referem-se a nove Estados (GO, MG, MT, MS, PA, PR, RS, RO e SP), que concentram 77,87% do rebanho nacional. A situação mais grave foi registrada em Minas Gerais, onde houve redução de 14,11% nos valores ofertados pelo boi gordo, considerando o período entre janeiro e maio.
Ao divulgar os números da pesquisa, o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, destacou que a tendência de redução dos preços pagos aos criadores e aumento dos custos de produção se mantém desde o segundo semestre de 2003. Há preocupação quanto à capacidade de expansão do rebanho, pois o criador tem mantido elevado o abate de matrizes. ''Essa tem sido a alternativa para gerar receita, mas reduzirá a produção de bezerros, em médio prazo'', alertou.
O coordenador do Programa Paranaense de Carne e Leite à Base de Pasto, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Paraná (Faep), Rubens Niederheitmann, lembrou que, enquanto o preço pago ao criador é regulado pelo mercado interno, os frigoríficos vendem em dólar e acabam tendo um rendimento maior. Ele defende maior organização do setor pecuarista para melhorar a remuneração dos produtores. ''Não vai adiantar brigar com os frigoríficos. O produtor precisa se organizar para ter um poder de barganha maior'', destacou.
Niederheitmann também defende a melhoria da qualidade da carne para romper o ''círculo vicioso'' que se estabeleceu: o criador não investe na produtividade porque é mal remunerado e porque o preço dos insumos está subindo e não consegue preço bom porque não tem qualidade. Ele citou o exemplo de 80 produtores de Araçatuba, interior de São Paulo, que se reuniram para garantir qualidade e preços melhores.

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