Curitiba - Com o crédito cada vez mais farto, não é difícil se endividar. O cardápio de opções varia desde cheque especial, cartão de crédito, financiamento imobiliário e de veículos, crédito pessoal até crédito direto ao consumidor.
De acordo com o consultor econômico da Inva Capital, Raphael Cordeiro, de 50% a 60% das pessoas não sabem como usar corretamente o crédito. No Brasil, este setor cresceu 880% para pessoa física entre dezembro de 2000 e dezembro de 2011 e saltou de R$ 66 bilhões para R$ 640 bilhões, segundo o Banco Central. O crédito de pessoa jurídica teve elevação de 400% e foi de R$ 120 bilhões para R$ 620 bilhões no mesmo período. Com isso, o crédito total, passou de 25% para 50% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. ''O crédito representou uma vida nova para o brasileiro. Isso não quer dizer que é uma vida melhor porque a pessoa pode fazer bom ou mau uso do dinheiro.''
Segundo Cordeiro, há três formas de aplicar os recursos do crédito: abrir negócio próprio, imobilizar em carro ou casa ou gastar em consumo, o que não é bom porque os juros são muito altos. Conforme ele, os juros mais abusivos estão no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Na hora de fazer um financiamento imobiliário também é preciso verificar se é mais vantajoso comprar a casa ou alugar. Cordeiro explicou que, se o valor mensal da prestação for mais caro que o aluguel, a saída seria alugar. A diferença entre o valor da prestação e do aluguel poderia ser guardada para compra futura do imóvel.
Para Cordeiro, o grande erro no uso do crédito é a desorganização. ''O equilíbrio é o ideal. Às vezes, ter dívida é bom. Desde que seja saudável e planejada'', disse. ''Tem gente que nunca teve dívida. Mas há pessoas que têm dívidas e são mais felizes e ricas'', observou.
Cordeiro participou da Expo Money que aconteceu no início deste mês em Curitiba, onde apresentou o ''termômetro do endividamento''. O consultor explicou que a pessoa deve começar a se preocupar quando usa o cheque especial mais que 20 dias no semestre ou 30 dias no ano e utiliza o rotativo do cartão de crédito que, na verdade, deve ser sempre pago em dia. Outros sinais de alerta são quando a prestação do carro representa mais de 20% da renda mensal e a do imóvel mais de 30%.

Imagem ilustrativa da imagem Com equilíbrio, Ter dívida pode ser bom
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