Com crise, investidor fica mais conservador
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Renée Pereira<br>Agência Estado 
São Paulo - O pânico vivido pelo mercado financeiro nos últimos dias congestionou as linhas telefônicas de gerentes e administradores de recursos de terceiros. Do outro lado da linha, investidores confusos e preocupados com o futuro de seu dinheiro. Queriam entender a extensão da crise, saber se a Bolsa continuará em queda e o que é esse tal ''subprime'' - nome do segmento de hipotecas de alto risco nos Estados Unidos - que tem chacoalhado os mercados. Tudo isso para decidir se mantêm ou não suas aplicações.
Acostumados aos ganhos recordes da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que entre dezembro de 2002 e julho deste ano acumulou valorização de 380%, muitos não tiveram sangue-frio para acolher as recomendações de seus administradores. Desfizeram posições, ''embolsaram'' o prejuízo e partiram para produtos mais conservadores, como os DIs, renda fixa com títulos pós-fixados e até mesmo a tradicional caderneta de poupança.
Exemplo disso pode ser verificado no site da Associação Brasileira dos Bancos de Investimentos (Anbid) - www.anbid.com.br. Até o dia 14, o patrimônio dos fundos DI em relação ao mês anterior havia crescido cerca de R$ 3 bilhões e o das aplicações de curto prazo, R$ 1,3 bilhão. Enquanto isso, o patrimônio dos fundos de ações já havia recuado cerca de R$ 3 bilhões e o dos multimercados, R$ 1,6 bilhão. Esses números se intensificaram quarta e quinta-feira.
''Temos percebido resgate nos fundos de ações e aumento de captações nos fundos mais conservadores'', confirma o diretor de fundos do Itaú, Moacyr Castanho. Segundo ele, apesar da turbulência, o cenário doméstico ainda é benigno, com queda dos juros e crescimento econômico. Esse é o panorama que o executivo tem passado aos seus clientes. ''Todas as sinalizações são de manutenção de um cenário positivo, mas tudo pode mudar.''
Para muitos investidores, pode parecer uma afronta quando os administradores ou gerentes recomendam ''muita calma nessa hora'' num momento em que a Bolsa chega a cair 8% (na quarta-feira, dia 15, a Bovespa chegou a cair mais de 8%, mas fechou com recuo menor). Na cartilha dos investimentos, a famosa fórmula mágica para ganhar dinheiro em Bolsa já recomenda comprar na baixa e vender na alta. ''Se tirar o dinheiro agora, no auge da crise financeira, o aplicador vai perder dinheiro'', afirma o superintendente de investimentos do Banco Real ABN Amro, Eduardo Jurcevic.
Segundo ele, o melhor a fazer é manter posições e mais tarde, quando o mercado se recuperar, avaliar seu apetite a risco. A principal pergunta a responder antes de fazer uma aplicação é em quanto tempo precisará do dinheiro. Se for no curto prazo, esqueça investimentos mais arriscados, como bolsa, fundos multimercados (que apostam em vários mercados) e fundos de renda fixa prefixada.
Para os investidores mais agressivos, o momento de turbulência pode representar possibilidade de ganhos futuros. O motivo, explica Mello, é o preço dos ativos. Como a Bolsa paulista caiu muito nas últimas semanas, as ações ficaram mais baratas.


