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. | Foto: Sérgio Ranalli - Grupo Folha

O número de domicílios alugados e cedidos aumentou proporcionalmente em relação aos próprios pagos ou pagos com parcelamento em andamento entre 2017 e 2018, no Paraná, segundo a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgada na quarta-feira (22) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A incerteza sobre a economia e as dificuldades na tomada de crédito por parte da população endividada são os principais motivos, segundo analistas do setor.

Quando analisados os números absolutos sobre a desejada casa própria, há praticamente uma migração de financiamentos ativos para os quitados. Eram 374 mil domicílios próprios com o morador ainda em fase de pagamento em 2017 no Estado, volume reduzido em 17 mil ante os 357 mil do ano passado. No mesmo comparativo, 2018 fechou com um acréscimo de 15 mil imóveis já pagos e um total de 2,523 milhões. O restante, analistas ouvidos pela FOLHA estimam que são de imóveis devolvidos por falta de pagamento.

Ao mesmo tempo, houve aumento de residências alugadas de 695 mil para 729 mil entre os dois anos. Foi registrada também alta de 309 mil para 351 mil entre as que foram cedidas.

Em relação ao total de domicílios, os aluguéis passaram de 17,8% em 2017 para 18,4% em 2018, enquanto os cedidos foram de 8,0% para 8,8%. Por outro lado, houve redução nos domicílios próprios pagos de 64,4% para 63,6% e nos próprios financiados de 9,6% para 9,0%.

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. | Foto: Folha Arte

O presidente do Sincil (Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina), Marco Antonio Bacarin, afirma que o aquecimento na locação existe, mas não é completamente explicado. “Os aluguéis comerciais aumentaram um pouco, porque a atividade gira em torno de expectativas um pouco melhores para a economia e a primeira coisa que a pessoa faz é alugar. No caso do residencial ocorre o contrário e é preciso ter a renda na mão para buscar uma habitação”, cita. Os representantes da própria entidade e do Secovi de Londrina (Sindicato da Habitação e Condomínios – Regional Norte) tinham reunião marcada para o início da noite desta quarta (22) para discutir o mercado local.

Para o ex-presidente do Sinduscon-Norte (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná) Gerson Guariente, existia e ainda persiste um deficit de residências próprias e pessoas com vontade de comprar, mas as condições econômicas não ajudaram. “Faltou um mercado de crédito disponível para financiamentos e que as pessoas estivessem empregadas ou, quando estavam, que tivessem confiança de que não perderiam os empregos para buscar um financiamento”, diz. Na incerteza, Guariente avalia que os paranaenses preferiram a locação.

O problema é que as incertezas não se dissiparam em 2019, conta Guariente. A falta de regras claras para empreendimentos para todas as faixas de renda, principalmente para a baixa, quando o ano se aproxima da metade é o que mais incomoda. “A expectativa começou o ano muito boa, mas vai ficar neutra, com crescimento próximo de zero. O que é ruim, porque tivemos uma perda da capacidade produtiva de cerca de 50% nos últimos quatro ou cinco anos”, explica.

NO PAÍS

Dos 71 milhões de domicílios existentes no Brasil em 2018, 12,9 milhões eram alugados, um aumento de 5,3% na comparação com 2017, conforme a PNAD Contínua. Por regiões, a elevação mais expressiva foi de 5,8% na região Sudeste – no Paraná, foi de 4,9%.

Houve leve queda proporcional em casas próprias no período. Em 2017, dos 69,5 milhões de domicílios, 51 milhões eram próprios, o que representa 73,3%. Já em 2018, as residências próprias eram 51,5 milhões das 71 milhões existentes, isto é, 72,5%.

A pesquisa do IBGE revela ainda que, em 2018, 31 milhões dos domicílios estavam situados no Sudeste, 18,5 milhões no Nordeste, 10,7 milhões no Sul, 5,5 milhões no Centro-Oeste e 5,3 milhões no Norte.

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