Com crédito ruim, famílias evitam novas dívidas
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terça-feira, 24 de junho de 2014
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Rio - As condições menos favoráveis ao crédito, com juros mais elevados e prazo mais curto, estão desestimulando as famílias a contratarem novas dívidas. A avaliação é da economista Marianne Hanson, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo ela, este cenário é o que está por trás da redução do endividamento das famílias, de 62,7% em maio para 62,5% em junho deste ano.
"Esses fatores desestimulam as famílias a contratarem novas dívidas, o que acaba também se refletindo em desaceleração do consumo", explicou Marianne. "A própria postura mais cautelosa faz com que haja um número menor de famílias com dívidas, o que leva ainda a uma queda na inadimplência", acrescentou a economista.
Segundo os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o porcentual de famílias com dívidas em atraso também apresentou queda, para 19,8% em junho, de 20,9% em maio, apurou a CNC.
O único dado negativo observado no mês de junho foi a alta na fatia média da renda comprometida com dívidas, que chegou a 30,3%, contra 29,1% em junho de 2013. "Pode aumentar a chance de elevar a inadimplência, mas isso não ocorreu ainda. Vai depender do que se observar no mercado de trabalho no segundo semestre", disse Marianne. Na visão da economista, enquanto a taxa de desemprego se mantiver baixa e o mercado estiver aquecido, as famílias terão condições de pagarem suas dívidas.
Segundo Marianne, a tendência é de moderação no consumo e no crédito, principalmente entre as famílias cuja renda vai até dez salários mínimos. Elas foram as principais responsáveis pela queda no porcentual de endividamento em junho, de 64,1% para 63,9% entre maio e junho. As famílias com renda superior a dez salários, por outro lado, seguem consumindo e contratando novas dívidas, e o nível de endividamento passou de 55,4% para 55,8% no período.
Consumo
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborada pela CNC e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), continua em queda. Em junho, o indicador apresentou uma queda ainda maior do que a apresentada em maio, passando de 137,3 pontos para 132,2. Em comparação a junho de 2013, quando o índice era de 150 pontos, a ICF teve retração de 17,8 pontos. As classes C, D e E estão menos predispostas ao consumo, com 131,8 pontos. Em junho do ano passado, esse indicador era de 149,2 pontos. Mas verifica-se que a retração na intenção das compras é mais expressiva nas classes A e B, que exibem um índice de 134 pontos, 20 pontos a menos do que em junho do ano passado.
A renda atual está melhor para 70,8% das famílias participantes da pesquisa e para 69,1% o acesso ao crédito está mais fácil em comparação ao ano passado. Esse mesmo dado era de 78,2% em junho de 2013.


