Com Ciep, governo busca regular estoques de grãos
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Célia Froufe<BR>Agência Estado 
Brasília - O governo começa a desenhar uma nova política de regulação dos estoques oficiais de alimentos, medida que foi amplamente usada no passado e que volta a ganhar importância diante do cenário de inflação persistentemente alta.
No início da semana, a presidente Dilma Rousseff oficializou a criação do Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep) para definir as condições para aquisição e liberação de estoques públicos. O grupo, que fez uma reunião informal ontem, vai "monitorar os volumes" de forma mais permanente, definindo quando deve se dar a liberação de produtos. "Até agora, o trabalho estava mais pontual e queremos voltar a sistematizar a atuação", disse um participante do conselho.
A formalização do grupo se dá no momento em que é esperada uma safra recorde de grãos no País e, ao mesmo tempo, se detecta uma escalada dos preços dos alimentos. O cenário tem trazido preocupação para o governo por causa da pressão sobre os índices de inflação. A equipe econômica garante que não há descontrole de preços no País, mas deu sinais de que poderá elevar a taxa básica de juros - atualmente em 7,25% ao ano, o menor patamar da história - se houver uma piora no quadro inflacionário.
A primeira reunião oficial do conselho está marcada para a próxima terça-feira, mas técnicos de vários ministérios que irão compor o grupo tiveram uma primeira conversa informal ontem, durante almoço no Ministério da Agricultura, que ficou responsável pela coordenação do conselho. O Ciep terá ainda representantes dos ministérios da Fazenda, Casa Civil e Desenvolvimento Agrário, além da Presidência da República. Também será "convidada permanente", para prestação de assessoria e orientação técnica, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal, que é ligada ao Ministério da Agricultura, ficará responsável pela execução prática das medidas.
Os ministros que compõem o Ciep se reunirão duas vezes por ano. Todos os meses, no entanto, os técnicos de cada Pasta participarão de encontros para estabelecer as novas formas de atuação do governo. Eles vão definir quais as quantidades de estoques estratégicos de cada produto, recomendar critérios para cálculo do preço de liberação dos estoques, levando em conta as diferenças regionais, e propor as condições gerais para aquisição e liberação dos alimentos.
A liberação funcionará como uma venda direta de alimentos, quando houver um movimento de decolada do preço de algum produto específico. Apesar disso, um participante do grupo disse que não há como esperar resultados imediatos sobre os preços. No caso do milho, os estoques ajudarão mais na regulação da oferta. "Vamos propor uma recomposição dos estoques. Vale lembrar que, em muitos casos, não há nem como o governo influenciar preços, pois são commodities internacionais, mas há preocupação do governo com a oferta de produtos no mercado", disse a fonte. "Não temos a pretensão de mexer com os preços de mercado. Nem temos elementos para isso, mas podemos regular melhor oferta e demanda", acrescentou.


