Com captação, dólar segue abaixo de R$ 3
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terça-feira, 29 de abril de 2003
Denyse Godoy<br> Agência Folha 
São Paulo - O dólar comercial fechou, ontem, pela segunda vez seguida abaixo de R$ 3 com o retorno do Brasil ao mercado internacional de títulos de dívida. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana terminou vendida a R$ 2,915, com desvalorização de 1,58%.
Foi a primeira vez que o País captou dinheiro no exterior desde abril do ano passado, ainda sob gestão de Armínio Fraga no Banco Central (BC). Os recursos seguirão direto para as reservas internacionais do País após a liquidação financeira da operação. Ainda é desconhecida a demanda e demais detalhes da captação.
Também ontem, a agência internacional de classificação de risco Standard & Poor's retirou a perspectiva negativa para a avaliação dos títulos brasileiros. A perspectiva negativa foi colocada pela agência em agosto do ano passado devido às turbulências do cenário eleitoral na economia. O BC também conseguiu renovar mais 25,9% de uma dívida em contratos de swap cambial. A cotação mínima atingida pela moeda norte-americana foi R$ 2,905, e a máxima, R$ 2,946.
O Brasil conseguiu captar US$ 1 bilhão no mercado externo por meio de títulos da dívida, aproveitando o aumento da confiança dos investidores estrangeiros em relação ao País. Faltam apenas 11,5% da dívida de US$ 1,5 bilhão em contratos de swap cambial com vencimento em 7 de maio para serem rolados. Ontem, na primeira etapa da operação, o BC já havia rolado 62,6% da dívida.
Hideaki Iha, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, destaca que os investidores ainda estão repercutindo a declaração do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que há espaço para a cotação do dólar recuar. ''Por isso, os importadores ficaram fora do mercado'', diz.
Exportadores, especialmente de produtos agrícolas, também se destacaram ontem como vendendo dólares. ''No curtíssimo prazo, todos os fatos positivos que poderiam acontecer já aconteceram. Assim, as cotações tendem a se equilibrar por volta do nível atual. Isso não quer dizer que mais quedas não vão acontecer. Novas entradas de recursos e empresas zerando posições compradas podem derrubar ainda mais o dólar'', diz um analista.


