Com Barbosa, governo aposta em apoio político para estancar a crise
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terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa como titular do Ministério da Fazenda desagrada aos agentes de mercado, mas traz maior capacidade de articulação política à pasta, segundo analistas ouvidos pela FOLHA. A opinião é de que não há uma grande mudança, já que o problema para a adoção dos ajustes fiscais necessários à retomada do crescimento econômico do País seja mais a má relação do governo federal com o Congresso do que a prática. Contudo, há certo temor sobre a rapidez de resultado diante da tendência a reformas mais graduais de Barbosa, em relação à terapia de choque apresentada por Levy.
Até anteontem, quando Barbosa era ministro do Planejamento e Levy, da Fazenda, ambos costumavam entrar em rota de colisão sobre a condução da política econômica. Por isso, no curto prazo, a expectativa é que a cotação do dólar suba e se mantenha acima dos R$ 4, com a Bolsa de Valores em queda, o que provocará mais dificuldades econômicas. Os agentes do mercado financeiro perderam o homem de confiança no governo e devem, assim, pressionar o novo ministro em busca de mais informações sobre políticas que deem um chão estável a investimentos. "Barbosa é um bom economista, mas não tem as credenciais que Levy tinha, de buscar o ajuste a qualquer preço", diz o coordenador de Ciências Econômicas da Universidade Positivo em Curitiba, Lucas Dezordi. "Ele vai gerar um estresse inicial no mercado, mas as condições para o ajuste não dependem só do ministro, e sim de uma melhor relação do Executivo com o Legislativo", completa.
Integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Luciano DAgostini considera Barbosa um "petista" e o vê com mais força de articulação. "Levy veio do mercado financeiro para tentar conseguir um superavit primário e manter a classificação de risco do Brasil, jogo que ele perdeu. O que também não quer dizer que Barbosa ou outro conseguiriam algo diferente, porque é preciso resolver a crise política."
Se o objetivo fosse acalmar as variações no capital especulativo, DAgostini acredita que o indicado deveria ser alguém como o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, ainda que não veja prejuízo tão grande de Barbosa em relação a Levy. "Melhorou porque Levy veio do mercado e preza mais a visão de mercado que a de sociedade. Barbosa enxerga mais a necessidade de ambos."
Na outra ponta, o chefe do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowski, critica a indicação. "Podemos dizer que trocamos seis por quatro, porque Barbosa é o grande responsável pelas pedaladas fiscais", diz, em alusão ao ditado "seis por meia dúzia" e à atuação do titular da Fazenda quando no Planejamento.
O professor da UEL bate também em Levy, a quem chamou de "banana", por somente falar em reforma fiscal com elevação de impostos, sem corte de gastos. Porém, lembra que o ex-ministro era uma voz destoante dentro do governo, o que pode prejudicar no futuro. "É preciso ver se Barbosa tem mesmo mais capacidade de negociação e se tem o que precisa para fazer o País andar. Ele começou falando em reforma na Previdência, o que é bom, mas precisa detalhar mais para ganhar confiança", cita Pianowski.


