São Paulo O açúcar foi um dos vilões da inflação neste ano. De janeiro até a segunda quadrissemana de novembro, o preço do produto subiu 94,5%, a maior parte a partir de agosto, segundo pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe). O dólar em alta e a possibilidade de exportação pressionaram os preços do produto no mercado doméstico.
O óleo de soja não ficou muito atrás do açúcar e subiu 71,5% no ano, assim como a farinha de trigo (66,5%) e o pão francês (51,5%). Todos esses produtos (soja, açúcar e trigo) aumentaram de preço porque são commodities e têm suas cotações influenciadas pelo dólar no mercado internacional.
Com o recuo do câmbio, o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo, diz que não existe mais espaço para aumentos. Ele acrescenta que a perda de renda que as famílias mais pobres tiveram nos três últimos meses do ano, de 5,5%, segundo o IPC-Fipe, não permite sancionar novos reajustes de preços. É que normalmente cerca de 60% da renda familiar das camadas de menor poder aquisitivo é gasta na compra de alimentos básicos.
Para Heron, a pior fase de repasse de custos para preços ao consumidor final já passou. Ele ressalta que as variações de preços ainda são elevadas, porém a tendência é de desaceleração. Com a perspectiva da entrada da safra de grãos a partir de meados do ano, a tendência dos preços dos alimentos é de desaceleração no varejo.
Neste fim de ano, apesar do arrocho na renda, o consumidor sancionou aumentos de preços por causa da renda extra do 13º salário. Mas no mês que vem, diz Heron, a população não terá esse respaldo. Segundo o economista, os impostos anuais, como IPTU e IPVA, além das mensalidades escolares, deverão drenar parte da renda disponível para consumo.

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