Londrina- Depois de ostentar um dos preços mais baixos de sua história, o café registrou alta considerável num curto período de tempo. Em 30 dias, o valor da saca subiu cerca de 40% na região de Londrina. Com isso, o preço encostou no valor oferecido pelo governo federal para entrega em dezembro (R$ 130,00), por meio dos contratos de opção de venda. Ontem, o mercado local operou com valores entre R$ 125,00 e R$ 130,00 a saca do arábica tipo 6, bebida dura.
Com isso, o interesse pelos contratos de opção que o governo leva a leilão hoje deve ser mínimo. No Paraná serão ofertados 500 contratos. Os preços já não compensam devido às exigências do governo, que quer o produto entregue em sacaria nova. Sem contar os custos de compra dos contratos de opção.
A alta no preço do café foi geral no País. O preço médio do produto foi de R$ 148,6 na segunda-feira, de acordo com o índice Esalq/BM&F. O indicador representa uma média ponderada dos preços do grão tipo 6, bebida dura para melhor, nas principais praças de comercialização: Cerrado e Sul de Minas Gerais, regiões Mogiana e Paulista (SP) e Noroeste do Paraná, que ontem fechavam negócios entre R$ 125,00 e R$ 130,00.
A reação nos preços, segundo corretores e especialistas ouvidos pela Folha, se deve a um somatório de fatores. Eles são unânimes ao afirmar que os contratos de opção de venda foram importantes, mas não são os maiores responsáveis pela nova situação.
O produtor Francisco Barbosa Lima, agrônomo do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Decaf/Mapa), em Londrina, aponta a expectativa de redução da safra mundial do café como principal motivo para a alta do produto. ''Alguns analistas falam em quebra de 10 a 15 milhões de sacas, mas isso ainda é especulação. Eu pessoalmente, acho que não haverá uma quebra superior a 12 milhões de sacas'', comenta ele, acrescentando que, com isso, tem-se uma expectativa da próxima safra ser equilibrada com o consumo. A previsão é também que os países produtores plantem menos café em 2003/2004.
O corretor Devanil Vicente Ferreira, ressalta que o desestímulo do produtor, devido aos preços baixos, levou muitos a abandonarem a produção, o que também ocasionará uma quebra nesta safra. Marcos Bacceti, também corretor, diz que a previsão de quebra da safra atual é de 7% a 8%. Ele aponta ainda uma ligeira alta no consumo mundial de café e quebra da safra de outros países como fatores que têm feito o mercado ter um comportamento de alta.
Outro motivo que estimula o preço, na avaliação do corretor Carlos Amaral, é a saída de alguns fundos de outras commodities para o café, devido à visão dos investidores de uma possível quebra da safra do ano que vem.

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