Moeda americana terminou o dia a R$ 3,95
A combinação entre cautela e especulação levou o dólar a galgar novo patamar nesta segunda-feira (20), atingindo o seu maior valor em quase dois anos e meio. A escalada ocorreu em meio à liquidez bastante reduzida, com investidores repercutindo o quadro eleitoral adverso. O dólar negociado no mercado à vista terminou o dia com alta de 1,10%, cotado a R$ 3,9571. É o maior valor da moeda americana desde 29 de fevereiro de 2016 (R$ 3,9984). Na máxima do dia, a cotação chegou aos R$ 3,97, o que trouxe às mesas de negociação rumores de intervenção do Banco Central. Os negócios com o "spot" somaram US$ 521,6 milhões, aproximadamente metade de um dia considerado normal.

Após pesquisa, investidores deram ordem de 'stop loss'
"Os rumores de intervenção do BC surgem naturalmente, uma vez que a própria autoridade monetária é quem afirma que deixará o dólar flutuar, mas poderá atuar toda vez que perceber distorção nos preços", disse Ricardo Gomes da Silva, diretor da Correparti. O profissional afirma que alguns investidores tiveram de dar ordens de "stop loss" (interrupção de perdas) após a divulgação da pesquisa MDA/CNT, pela manhã. Em linhas gerais, o levantamento mostrou pouca alteração no quadro já conhecido, com Lula e Bolsonaro liderando as intenções de voto. O desconforto veio da constatação da estagnação do candidato afinado com o mercado, o tucano Geraldo Alckmin.

Vale, Petrobras, Itaú e Ambev seguram alta do Ibovespa
O Ibovespa navegou na contramão do desempenho visto nos mercados de câmbio e juros locais, onde o sentimento de cautela foi notado com mais intensidade. Seja por espelhar o bom humor das praças parelhas dos Estados Unidos ou mesmo pela força dos papéis de empresas exportadoras, que se beneficiam com a alta do dólar frente ao real, fato é que o principal índice de ações do Brasil defendeu o patamar dos 76 mil pontos na sessão desta segunda. Fechou em alta de 0,39%, aos 76.327,89 pontos. O giro financeiro, de R$ 17,8 bilhões, foi consequência do vencimento de opções por ações. De acordo com a B3, o vencimento movimentou R$ 7,969 bilhões, sendo R$ 2,693 bilhões de compra e R$ 5,275 bilhões de venda. As opções mais movimentadas foram Vale, Petrobras, Itaú e Ambev. O valor foi superior aos R$ 3,998 bilhões registrados no último exercício.

Em postura defensiva, juros futuros renovaram máximas
Os juros futuros fecharam a sessão regular em alta, que foi mais forte nos contratos de longo prazo, refletindo a piora na percepção do risco eleitoral. A pesquisa MDA/CNT, divulgada no fim da manhã, já vinha pesando sobre os negócios e o mercado ampliou a postura defensiva à tarde antes da divulgação dos números da corrida presidencial do Ibope, na noite desta segunda-feira (20). Diante do aumento da cautela, os juros renovaram máximas na última hora de negócios, juntamente com o dólar, que chegou nos R$ 3,9713 na máxima do dia. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 8,27%, de 8,19% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2021 subiu de 9,26% para 9,37%. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 10,99%, de 10,85%, e a do DI para janeiro de 2025 avançou para 11,74%, de 11,60%.

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