Curitiba - Com a alta da inflação as empresas buscam cada vez mais estratégias de marketing para manter os clientes e as vendas. O professor e coordenador do MBA de Marketing da ISAE-FGV, Luis Carlos Seixas de Sá, orienta que, com o aumento das taxas inflacionárias, os especialistas em marketing devem começar a olhar com mais cuidado para os custos de desenvolvimento de produtos, logística, distribuição, vendas e atendimento de pós-venda para tentar reduzir os gastos.
Outra saída, segundo ele, é focar a atuação em lucratividade e intensificar o relacionamento com os clientes que compram um volume maior. A dica é voltar as atenções para os clientes que são menos propensos a deixar a marca e observar o comportamento de compra no que se refere a produtos, volume e periodicidade.
distribuição de produtos, por exemplo, terceirizando esse serviço em algumas regiões. Outra ação que não pode ser abandonada é o fortalecimento da marca.
Sá disse que a inflação vai atingir alguns setores de uma maneira desigual. Ele acredita que as empresas que utilizam o petróleo como matéria-prima vão sofrer um pouco mais. As companhias que precisam de commodities minerais e agrícolas também devem ser afetadas pela pressão do mercado internacional. Estes segmentos devem ter mais dificuldade de manter os preços.
Por outro lado, para os produtos de massa que utilizam tecnologia da informação como celulares, computadores e alguns aparelhos elétricos, a inflação não deve trazer tantos problemas, porque a tecnologia da informação barateia estes itens a cada mês. De acordo com a Lei de Moor (primeiro presidente da Intel), a cada vez que a potência de um microprocessador dobra, os custos caem, pelo menos, 50%.
Ele destacou que, o fator primordial que interfere na decisão de compra do consumidor é o preço. Quando a pessoa não tem condições de comprar uma marca líder, busca as concorrentes ou até marcas próprias e faz as substituições para caber no orçamento.
Outro item que é levado em conta é a qualidade do produto. Além disso, existe a relação emocional que o consumidor tem com algumas marcas. ''A decisão de compra não é só racional. Tem o caráter emocional e o impulso'', disse.
Apenas os produtos de luxo, como bolsas, jóias e cosméticos, não são afetados pelos índices atuais de inflação no Brasil. O risco que as empresas correm é os clientes comprarem os produtos fora do País, já que esses consumidores viajam bastante. ''Esse pessoal não faz muita conta'', brincou.
O vice-presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Maurício Bendixen da Silva, acredita que os meios que o setor pode utilizar para driblar a inflação são a fidelização e programas de relacionamento com os clientes, além da venda de marcas próprias e a negociação com os fornecedores para reduzir custos.

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