Com a mão na massa
Os canteiros de obras em Londrina, que não são poucos, passaram a contar com a presença cada vez mais forte das mulheres. E não se trata apenas daquelas que visitam o local para conhecer e comprar o imóvel ou averiguar sua própria construção. São mulheres que realmente têm colocado a mão na massa e encarado a tarefa de trabalhar na construção.
Andréia Márcia dos Reis Oliveira, 34, é assistente de manutenção da Construtora Plaenge em Londrina. Entre as atribuições do cargo estão verificar detalhadamente os apartamentos que serão entregues aos clientes e se houver problemas consertá-los. Faço um check-list, arrumo portas e janelas que não estão abrindo direito ou estão fazendo algum barulho e também troco azulejos e pisos que, por ventura, estejam quebrados ou danificados, explica Andréia, que foi contratada há apenas um mês.
Para adquirir conhecimento, ela tem feito cursos profissionalizantes realizados na Escolinha da Plaenge, em parceira com o Senai. Ela diz que a etapa da obra de assentar azulejos, não é tão pesada e pode perfeitamente ser feita por mulheres, basta querer. Aliás, quando me contrataram, eles queriam uma mulher para esse cargo porque a gente é mais cuidadosa, delicada e a função pede isso, frisa.
Andréia, que até então só havia trabalhado em escritórios, na parte administrativa, conta que havia se cansado da profissão quando decidiu procurar outras possibilidades. Além disso, afirma, o salário é bem melhor. Hoje ganha R$ 600 por mês, mais alguns benefícios.
Ela conta que não sente preconceito por parte dos homens com quem trabalha. Porém, já percebeu que sua presença altera o comportamento deles. Não podem fazer certas brincadeiras, nem contar certas piadas, se diverte. O marido, segundo ela, ficou um pouco receoso no começo, mas agora tem aceitado bem. E a vaidade, onde fica? Faço as unhas toda semana e não venho trabalhar sem passar pelo menos um batom e colocar um brinco, conta Andréia, também mãe de uma menina de cinco anos.
Segundo a gerente regional da Plaenge em Londrina, Célia Catussi, as mulheres têm buscado cada vez mais fazer cursos para trabalhar na construção, principalmente nas áreas de acabamento. Talvez por serem mais detalhistas elas se encaixam bem, a qualidade fica bem melhor, garante Célia que, engenheira civil formada há 25 anos, vem de uma época em que era muito raro uma mulher no setor da construção civil, principalmente em cargos de chefia, como é seu caso.
Célia lembra que não é mais novidade ver uma mulher assumindo novas funções. Temos mostrado muita capacidade e levado mais excelência às profissões, destaca. A gerente da construtora comenta que a qualificação tem feito muita diferença para a mulher. Quando ela vai para o mercado de trabalho está bem informada, aponta. No comando de quase 200 funcionários, entre administração e obra, Célia afirma que não vê preconceitos. Pelo contrário, existe até uma certa admiração profissional do sexo oposto. (E.Z.)





