COM A MÃO NA MASSA - Família prospera vendendo pastel na feira
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sábado, 30 de outubro de 2004
Vera Barão<br> Reportagem Local 
Versão do tradicional ''rolinho-primavera'', da culinária chinesa, o pastel é a estrela das feiras-livres, dos botecos e das praças de toda Londrina. Até aí sem novidades. O que poucos sabem é que esta guloseima faz sucesso nas mãos de uma família com ascendência italiana, na feira da Avenida Saul Elkind, no Cinco Conjuntos (Zona Norte), que contabiliza a venda de mais de mil pastéis aos domingos pela manhã em três bancas. O empreendimento não pára por aí. Depois de quase uma década na feira, a família Picinini expandiu os negócios abrindo uma fábrica de massas para comercializar nas pastelarias e mercados da cidade e região. A produção semanal chega a dois mil quilos de massa.
''O movimento nas bancas já foi mais intenso quando a concorrência era menor'', lembra Adélia Refundini Picinini, 47 anos, que toca o negócio com os dois filhos Adriano, 24, e Anderson, 27. Ela conta que a primeira banca começou com seus pais Maria e Antonio Refundini no início da feira. ''Nesta época se vendia muito pastel, bem mais do que hoje. A banca deles foi a segunda de pastel na feira, há mais de 10 anos'', lembra Adélia que, nesta época, ainda morava no sítio com o marido e os filhos. Logo em seguida, ela veio para a cidade e passou a ajudar a mãe e uma irmã que também fabrica o produto e vende na feira. ''Foi aí que os meninos começaram com 10, 11 anos de idade, a ajudar a minha irmã na fabricação da massa. Depois compramos uma banca e agora já temos três, além da fábrica'', comemora Adélia. Em cada banca, ela tem quatro diaristas para ajudar a servir os fregueses.
Adélia conta que, no começo do negócio, quem literalmente colocava a mão na massa era seu pai, Antonio Refundini (falecido há sete anos). ''Ele fazia a massa e minha mãe que, hoje só vem à feira a passeio, fazia o recheio e fritava os pastéis''. A tradição passou de avô para neto. Hoje, quem faz a massa são os irmãos Anderson e Adriano. O recheio dos pastéis vendidos na feira fica por conta de Adélia que, além dos tradicionais sabores carne e queijo, capricha também nos de frango com catupiry, palmito com frango, pizza e o especial enroladão, com queijo, carne e presunto.
Com visão empreendedora e percebendo que a guloseima se tornou uma verdadeira mania entre os frequentadores da feira da Saul Elkind, os Picinini resolveram investir na fábrica. Há quatro anos, construíram uma área de 100 metros quadrados e adquiriram equipamentos como masseira, cilindro, prensa, enroladeira e câmara fria um capital estimado em cerca de R$ 20 mil. ''Até contruírmos a fábrica, começamos no fundo de casa de forma improvisada. Aos poucos fomos planejando e investindo o dinheiro que ganhávamos'', relatou Adriano Picinini, que durante a semana participa de outras duas feiras uma no Jardim Lindóia (Zona Leste) e no Interlagos (Zona Leste).
Mãe e filhos explicam que o emprendimento foi crescendo aos poucos, degrau por degrau e conquistando a clientela, principalmente de cidades da região. ''Não houve um crescimento explosivo, foi tudo passo a passo e com muito trabalho, até porque hoje existem na feira uma grande concorrência, com mais de 10 bancas de pastéis''. Quanto à fábrica, no início a massa era entregue em algumas pastelarias de Londrina, mas em pouco tempo surgiram pedidos em outras cidades, resultando na produção atual. Pensando grande, os Picinini já estão testando um novo produto na feira o macarrão massa fresca. ''Se tiver uma boa aceitação na feira, vamos começar a produzir em escala maior para comercializar junto com a massa de pastel nos mercados'', planeja Adriano que, aos domingos, inicia a jornada na feira às 5 horas com a família, para montar as barracas.


