Filé mignon a R$ 49,90, contra-filé a R$ 24,50 e coxão mole a R$ 23,90. Estes são alguns dos preços astronômicos da carne bovina que estão sendo comercializados em Londrina. O levantamento foi feito pela FOLHA na tarde de ontem em quatro supermercados e constatou um aumento de até 50% em comparação aos preços médios de venda no varejo feito pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Deral/Seab) do mês passado.
De acordo com Alex Lopes da Silva, analista de pecuária de corte da Scott Consultoria, a pecuária de corte está na entressafra e devido as chuvas ainda não há um volume muito grande de animais no pasto prontos para o abate. ''Com esta lacuna de ofertas, o frigorífico acaba pagando mais caro na matéria prima. Porém, esta situação já está melhorando, não há nada fora do comum''.
Ele relembra que no ano passado, quando comparados os meses de junho e dezembro, o aumento médio foi de 30%. Em carnes nobres, como contra-filé, filé mignon, os aumentos foram de 35% e 60% respectivamente. ''Este momento de transição da safra aliado ao aumento do consumo devido as festas de final de ano acaba pressionando os preços. Mas não é possível fazer uma estimativa de quanto mais vai subir até o final do ano'', pondera Silva.
José Fontes, presidente da Associação Nacional de Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), comenta que os preços da carne não deveriam estar tão altos nesta época do ano. Entretanto, ele ressalta que os frigoríficos podem estar com dificuldades de manter as escalas de abate na entressafra e, portanto, acabam repassando seus custos para os varejistas . ''Para o pecuarista, não houve nenhuma variação brusca no preço da arroba. Os preços subirem nesta época é comum, já que o consumidor recebe o 13º e acaba consumindo mais o produto''.
Consumidor
O bacharel em Direito Junior César da Silva frequenta o mesmo supermercado nas suas compras do dia a dia. Ele comenta que geralmente compra coxão mole para sua casa e que percebeu um aumento de pelo menos três reais no corte nas últimas semanas. ''Carnes mais nobres estão realmente caras. Quando sobe demais, tentamos trocar por outro tipo, como a suína''.
Já a consultora de vendas Marcia Fernandes diz que também sentiu o aumento dos preços, mas como mora apenas com seu marido, continua comprando normalmente mesmo com as altas. ''Quando sobe, nossa despesa não muda tanto'', conclui.

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