Com a alta da demanda, transportadoras recusam clientes
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sábado, 19 de julho de 2008
Renée Pereira<br> Agência Estado 
São Paulo - O ritmo forte da economia nos últimos trimestres, aliado à alta dependência do transporte rodoviário, traz à tona novas fragilidades da logística brasileira. Com demanda extremamente aquecida por causa do consumo interno e das exportações, as empresas de transporte rodoviário chegaram ao ponto de recusar cliente por falta de capacidade instalada. Algumas se dão ao luxo até de escolher o cliente, setor ou região que possa dar melhor rentabilidade no serviço.
Pesquisa inédita do Centro de Logística da Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que nos últimos 12 meses 82% das 65 transportadoras entrevistadas já recusaram clientes por falta de capacidade ou porque a rentabilidade do serviço não era atrativa. Além disso, 51% afirmam que a oferta de transporte rodoviário de cargas, responsável por 60% de tudo que é movimentado no País, está no limite da capacidade.
Estima-se que o avanço do setor este ano esteja 15% acima do verificado em 2007. Para os próximos meses, a expectativa é de demanda ainda maior, já que tradicionalmente a atividade econômica é mais aquecida no segundo semestre. ''A demanda está crescendo bem mais que a oferta'', avalia o professor da Coppead/UFRJ, Paulo Fleury, responsável pela pesquisa. Para completar o quadro, diz ele, a expansão da capacidade das empresas tem sido dificultadas por filas na entrega de caminhões, que vão de 3 a 9 meses.
''Em tempos de desespero, pegamos o que vem pela frente. Mas, num cenário de demanda forte como a atual, é normal darmos preferência a serviços e clientes mais rentáveis'', afirma Djalma Miranda, diretor de planejamento da Transportadora Binotto, a quarta maior do País. Segundo ele, um exemplo de logística de baixa eficiência é o transporte para o Nordeste.
Como a região importa mais produtos do que exporta, os caminhões vão cheios e muitos voltam vazios. ''De cada dez veículos que sobem, apenas cinco retornam com cargas. Isso depois de esperarem em média dois dias pelo carregamento, o que significa uma grande perda'', diz o executivo. ''É muito mais rentável fazer o transporte de uma carga dedicada, em que recebo para ir e para voltar.''
Rotas Selecionadas
Outro ponto que pesa na decisão das empresas na hora de fechar um contrato são as deficiências da infra-estrutura, em especial o mau estado das estradas nacionais. Algumas transportadoras se recusam, por exemplo, a atender serviços em Minas Gerais por causa das péssimas condições das rodovias, diz Luchiari, da TA. Segundo ele, como no caso dos supermercados, quando a empresa aceita fazer o frete nessas regiões, exige um preço maior.


