Com a ajuda da classe C, cresce venda de zero quilômetro
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sábado, 05 de março de 2011
Cleide Silva <br>Agência Estado 
São Paulo - Cerca de 400 mil consumidores brasileiros compraram o primeiro carro zero no ano passado, número equivalente ao total de veículos vendidos no Chile, Colômbia e Venezuela, juntos. Os ''entrantes'' no cobiçado mercado automobilístico, na avaliação de analistas, pertencem principalmente à chamada nova classe C, constituída por pessoas que melhoraram a renda salarial.
Elas são responsáveis, em grande parte, pela continuidade do crescimento das vendas de automóveis, mesmo com a tentativa do governo de frear o consumo. Embora sejam dados parciais de 2010, obtidos em pesquisa feita em conjunto pelas montadoras, analistas acreditam que continuam sendo replicados neste ano. Janeiro e fevereiro bateram recorde para esses meses, com 144 mil e 274 mil unidades vendidas, respectivamente.
O mercado conta ainda com o reforço dos consumidores veteranos que estão trocando mais cedo de carro - e por modelos mais caros. No ano passado, 32,1% dos automóveis e comerciais leves vendidos no País custavam de R$ 30 mil a R$ 40 mil. Em 2009, essa faixa respondia por 24,5% das vendas. Já os modelos mais baratos, até R$ 30 mil, eram 37,3% do mercado, fatia que caiu para 25,3%. No alto da pirâmide, a fatia das vendas de carros entre R$ 90 mil a R$ 100 mil saltou de 1,3% para 5,2%.
Stephan Keese, da consultoria Roland Berger, vê duas tendências paralelas no mercado brasileiro: o crescimento do número de pessoas que compram o primeiro carro zero, principalmente na classe C, e o aumento do valor médio gasto na compra, em especial entre as classes A e B. Em 2006, a média era de R$ 29 mil. Hoje está em R$ 40 mil.
Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, o aumento da massa salarial, maior confiança do consumidor e ''carros mais baratos'' estão movendo o mercado. Segundo ele, nos últimos 12 meses os preços dos automóveis subiram 1,5%, segundo a Fipe, enquanto a inflação medida pelo IPCA ficou em 6%. ''Pelo mesmo índice, o preço dos carros caiu 1%'', informa.
Pesquisa de intenção de compra para o período de janeiro a março feita pelo Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/FIA) e pela Felisoni Consultores Associados aponta aumento de 5,3% em relação ao primeiro trimestre de 2010 no número de pessoas que pretendem comprar carro. ''O valor médio que elas pretendem gastar subiu 11,5%'', informa o presidente do conselho do Provar, Claudio Felisoni de Angelo.


