Na introdução do livro “Como desenvolver líderes de verdade”, o autor Wellington Moreira, colunista da FOLHA, relata uma passagem que ocorreu após o ataque japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941. Ele relata que o exército americano precisava indicar milhares de líderes para o campo de batalha e o número de oficiais era insuficiente. Diante disso, o general Courtney Hodges apresentou um plano para a formação de oficiais de apenas doze semanas para civis que já exerciam posição de liderança. Segundo Moreira, o programa, que incluía treinamentos físicos e o aprendizado de táticas de guerra, foi tão bem-sucedido que os líderes formados ficaram conhecidos pela expressão “a maravilha dos 90 dias”. Moreira explicou que o leitor pode alcançar resultados semelhantes por meio de sua obra, que possui princípios, práticas e ferramentas que podem ajudar a empresa, instituição pública, ONG ou igreja a se transformar em uma verdadeira “fábrica de lideres”.

O colunista da FOLHA, Wellington Moreira, é autor do livro “Como desenvolver líderes de verdade.”
O colunista da FOLHA, Wellington Moreira, é autor do livro “Como desenvolver líderes de verdade.” | Foto: Divulgação/Wellington Moreira

“Existem muitos livros de liderança que falam de quais atitudes um líder deve ter, mas praticamente não existem livros que falam como desenvolver essa liderança”, destacou. “Eu trabalho há 20 anos como consultor e a gente encontra fragmentos da resposta a essa pergunta em vários livros”, mas, de acordo com o escritor, nenhum deles mostra esse caminho. “ Entreguei todos os segredos de meu negócio. A ideia é compartilhar e ajudar. Contei em detalhes como fazer isso”, declarou.

“A primeira coisa é a constituição de uma mentalidade de liderança. Tudo começa com o fato da pessoa ser muito responsável e saber lidar com problemas de forma positiva. É alguém que gosta das broncas das quais as outras pessoas querem fugir”, enalteceu.

Questionado sobre como identificar líderes em uma organização, ele remete a vários capítulos que falam sobre isso em sua obra. “A gente tem que olhar como a pessoa lida com problemas e desafios que aparecem pela frente. Se ela gosta de responsabilidade e aprecia lidar com isso e se ela gosta de gente. Em uma posição de liderança é preciso estar à frente de uma equipe. Tem gente que não gosta de lidar com pessoas. É um perfil mais técnico, de um especialista, muito mais do que uma carreira de gestão”, pontuou.

Outro fator crucial enumerado por Moreira é se essa pessoa tem disposição para transformar a realidade e fazer as mudanças necessárias. “Em um mundo de pandemia e de pós-pandemia foi preciso gente disposta a fazer as coisas de uma nova forma. “A empresa tem que ter capacidade de reinvenção. Muita gente hoje trabalha em home office e para isso tem que confiar, independentemente se eu tiver perto de você ou não. Esse é o ponto central e era algo ignorado nas empresas. A pandemia mudou a forma de desenvolver líderes. O modelo vertical está em transição para sumir mesmo, embora a hierarquia não vá mudar tanto. O que está mudando é a cultura. A cultura não pode mais ser no modelo tradicional de controle em que eu desconfio de você para que se faça o trabalho. Muita gente que estava nessa cultura antiga e de uma hora para outra teve que mudar e jogar esse novo jogo, mas muitos têm dificuldade para virar a chave”, afirmou.

Mas ele ressaltou que é no ambiente problemático que se percebe quando um líder é bom. Na rotina o líder não é tão importante. Se em 95% do tempo houver uma rotina previsível e em outros 5% vão acontecer incertezas, é ali que pesa ter uma liderança, capaz de tomar decisões cujos resultados serão incertos. Uma pessoa que lida muito com a rotina não vai desenvolver liderança. Aí que a pandemia pegou muita gente. Em uma transformação dessa, muita gente não sabia nem andar. Os perrengues geram mentalidade de liderança e facilita muito em um momento atual”, destacou.

Ele ressaltou que são esses desafios que levam as pessoas a um novo patamar. “É muito difícil aprender a liderar se não passar por uma missão delicada, seja ela de contratar e demitir pessoas e saber como comunicar uma demissão.” Também é preciso saber tocar um projeto chave dentro da empresa. “Uma delas é liderar uma equipe pela primeira vez, ter uma experiência fora do País, ou assumir uma unidade problemática para recuperá-la. Os bancos enviam pessoas com potenciais a bancos problemáticos e se ele consegue recuperar essa agência, ele é enviado para outro mais problemático. Tudo isso ajuda no desenvolvimento de liderança e se ele conseguir passar com bom desempenho por quatro situações dessas, ele chega à superintendência. Antigamente um treinamento para chegar à superintendência levava dez anos, mas dessa forma em dois anos o banco consegue isso”. “Não é todo mundo que aguenta. É muita pancada e tem muita gente que desiste no meio do caminho”, declarou.

De acordo com o consultor, o que impede o crescimento de uma empresa é não ter pessoas chaves para pensar o negócio ou operacionalizar aquilo que está na cabeça de duas ou três pessoas, quando a empresa precisa de dez pessoas assim. “Neste livro procurei trazer uma linguagem objetiva. É algo que uma pessoa que trabalha nas organizações entenda bem e também para que o leitor entenda sobre liderança e o que há por trás das atitudes que um líder deve ter”, reforçou.

SERVIÇO:
∙ Título: Como desenvolver líderes de verdade
∙ Autor: Wellington Moreira
∙ Editora: Ideias & Letras
∙ Assunto: Desenvolvimento de liderança
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