COLUNA IBQP - Gestão do conhecimento
A informação tem sido considerada o mais importante recurso de gestão, sendo muitas vezes mais valiosa do que dinheiro ou bens. No tocante ao conceito mais avançado de gestão, o principal propósito é buscar a união de todos os membros da empresa, visando alcançar um objetivo comum. E isso acontece quando as informações, diretrizes e planos são compartilhados por todos.
O grupo que é motivado a agir assim pode se tornar uma equipe poderosíssima. Atualmente, no Japão, o gestor mais famoso é Carlos Ghosn, 48 anos, nascido no Brasil. Em junho de 1999, ele foi destacado pela Renault francesa para atuar na montadora Nissan, que estava à beira da falência. Em apenas dois anos, ele conseguiu não apenas recuperar a empresa como, também, fazê-la dar lucros.
No início, as comparações com a Toyota e a Honda eram inevitáveis e o mercado japonês não acreditava que houvesse recuperação possível. Todos se enganaram. Em março de 2002, a Nissan comemorou o maior lucro anual da história da empresa. Para evitar a falência, Ghosn teve de fazer reformas radicais: fechou fábricas e despediu funcionários. Algumas empresas subcontratadas faliram. Porém, ele obteve um enorme sucesso na revolução consciencial, motivando os funcionários do chão de fábrica que permaneceram.
Ao estabelecer uma meta clara e muito bem definida, o gestor fez com que os colaboradores não apenas tomassem conhecimento mas se comprometessem com ela. Na sequência, o planejamento foi executado com a participação ativa de todos. No caso da Nissan, a grande diferença é que Ghosn realizou o processo de forma fiel e transparente, conquistando a confiança dos funcionários. Isso gerou um time maravilhoso, com consciência de unidade.
Por ser brasileiro e ter atuado nos Estados Unidos, França e Japão, Ghosn foi indagado se acredita na existência de um princípio de universalidade de gestão empresarial que ultrapasse as características regionais. Ele disse acreditar num princípio de gestão empresarial comum a todos os países. Em síntese, aposta no sistema que utilizou na Nissan, envolvendo a totalidade dos funcionários e a direção, visando o bem comum. E, além de promover as mudanças, Ghosn diz que é importante fazer com que o mercado tome conhecimento do que está ocorrendo na companhia.
No Japão, onde o emprego vitalício vigora na maioria das empresas, o gestor que demite tem uma imagem negativa. O fato poderia ser ainda pior, tendo em vista que Ghosn é um estrangeiro. No entanto, cresce dentro da Nissan a crença de que ele e os funcionários têm o mesmo interesse, formando o sentimento de unidade. Dessa história exemplar, concluímos que quando todos compartilham a informação, cresce o entusiasmo. E quando ocorre a união em busca do mesmo objetivo, acontece ''o milagre''. Tudo isso, graças à clareza de princípios e à aposta na gestão da informação e do conhecimento.
Nobuyuki Kuwata é um perito japonês que atua no IBQP cedido pela Japan Internacional Cooperation Agency - JICA
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